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BCP cai mais de 3% e arrasta PSI para negativo numa Europa verde

BCP cai mais de 3% e arrasta PSI para negativo numa Europa verde

O índice PSI encerrou a sessão desta sexta-feira em terreno negativo, contrariando a tendência de recuperação observada nas principais praças europeias. O índice português recuou 0,86% para 9.267,50 pontos, penalizado pelo mau desempenho do setor bancário e de algumas das suas principais cotadas.
As maiores descidas da sessão foram lideradas pelo BCP, que caiu 3,30% para 1,0975 euros, seguido pela Sonae, que perdeu 1,91% para 2,0500 euros, e pela NOS, que recuou 1,52% para 5,190 euros. Outros títulos como a Corticeira Amorim (-1,19% para 6,64 euros) e a Galp Energia (-0,79% para 22,51 euros) também contribuíram para o saldo negativo do índice.
Em contraciclo, destacaram-se pela positiva a Mota-Engil, que subiu 1,40% para 4,650 euros, e a EDP Renováveis, que avançou 1,23% para 12,32 euros. A EDP e os CTT também registaram ganhos ligeiros, de 0,40% e 0,26% respetivamente.
No resto da Europa, o sentimento foi de recuperação após as fortes quedas dos dias anteriores. O índice pan-europeu Stoxx 600 subiu 1,03% para 631,94 pontos, enquanto o EuroStoxx 50 avançou 0,81% para 6.176,36 pontos. Entre os principais índices nacionais, o DAX alemão destacou-se com uma subida de 1,27% para 25.122,02 pontos, seguido pelo IBEX 35 espanhol, que ganhou 1,12% para 19.136 pontos. O FTSE 100 britânico subiu 0,91% para 10.536,97 pontos, o CAC 40 francês valorizou 0,89% para 7.798,49 pontos e o FTSE MIB italiano registou um acréscimo de 0,81% para 49.687 pontos.
No mercado de matérias-primas, os preços do petróleo mantiveram a tendência de alta, pressionados pelas persistentes tensões geopolíticas no Médio Oriente. O Brent do Mar do Norte avançou 3,52% para 103,73 dólares por barril, enquanto o WTI sobe 2,85% para 90,80 dólares.
Nos mercados obrigacionistas, assistiu-se a um alívio nas yields, com a taxa das Bunds alemãs a 10 anos a recuar 4,6 pontos base para 3,46%. Em Portugal, a yield das obrigações a 10 anos situou-se em 3,92%, numa sessão marcada por uma correção generalizada dos rendimentos da dívida soberana na zona euro.
No seu comentário de mercados, o Millennium Investment Banking sublinhou que a sessão foi globalmente positiva para as ações europeias, apesar dos preços do petróleo. A instituição destacou ainda a pressão sobre o setor bancário.
“Lisboa contraria otimismo europeu, onde só o setor de Telecoms recuou”, destaca o analista.
Esta foi assim uma sexta-feira de otimismo nas bolsas europeias, com o PSI a ser exceção, “ao registar perdas na grande maioria das suas cotadas”, sublinha a MTrader.
“Alguma estabilidade nas yields de dívida soberana sustentaram o sentimento global. O setor da Telecoms foi o único em queda, depois da SpaceX ter anunciado que adquiriu espectro de baixa frequência que permitirá à empresa usar os seus satélites Starlink para se tornar uma grande operadora de telefonia móvel nos EUA, gerando receios de forte pressão concorrencial”, referem os analistas.
À hora de fecho das praças no velho continente, os principais índices de ações de Wall Street seguiam em alta.
O contexto macroeconómico e geopolítico continua a dominar a ação dos mercados. A escalada das tensões no Médio Oriente, com ataques a navios no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz, tem mantido o preço do petróleo em níveis elevados, alimentando os receios de que as pressões inflacionistas persistam.
Em paralelo, as preocupações com a trajetória orçamental de França, cujo défice poderá atingir quase 120% do PIB, têm gerado volatilidade no mercado de dívida, com os investidores a exigirem prémios de risco mais elevados. A combinação de tensões geopolíticas, pressões inflacionistas e incerteza política continua a condicionar o apetite pelo risco nos mercados financeiros internacionais.

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