UE e Cabo Verde querem reforçar parceria com projetos conjuntos nos Açores e Madeira
A União Europeia e Cabo Verde querem reforçar a sua parceria através do desenvolvimento de projetos conjuntos nos Açores, Madeira e Canárias, que consideram ser um “laboratório importante” para uma maior aproximação entre as duas partes.
A garantia foi deixada pelos ministros dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Rangel, e de Cabo Verde, Manuel Amante da Rosa, no final de uma reunião de alto nível entre a UE e Cabo Verde que se realizou esta sexta-feira, 9 de outubro, em Bruxelas.
Aos jornalistas, Paulo Rangel, que representou a UE na reunião, salientou que, ao longo de três horas, as duas partes abordaram “todos os dossiês” de cooperação, o que mostra que o “grau de coordenação, de alinhamento, de capacidades de ter posições comuns nas diferentes matérias é muito impressionante”.
“A relação é excelente, é mesmo uma relação de primeira qualidade e isso ficou aqui, mais uma vez, claramente documentado”, salientou.
Rangel destacou em particular que Cabo Verde quer desenvolver uma “relação especial” com as regiões ultraperiféricas da UE e, em particular, com os Açores, a Madeira e as Canárias.
“Partilham o espaço atlântico – a chamada Macaronésia – e é sem dúvida um laboratório importante para uma ainda maior aproximação de Cabo Verde à UE”, salientou o ministro português, frisando que Cabo Verde partilha com aquelas três regiões “muitos problemas e visões comuns”.
“Haver a capacidade de ter projetos conjuntos com Cabo Verde torna esta relação numa relação íntima entre Cabo Verde e a UE”, afirmou.
O ministro de Cabo Verde confirmou que o país se sente “perfeitamente imbuído da vontade” de aprofundar a sua cooperação com os Açores, a Madeira e Canárias, considerando que o país “tem muito a aprender” com essas regiões.
“Só podemos ter benefícios fazendo esse diálogo contínuo, permanente”, referiu, adiantando esperar que os projetos comuns que vierem a ser desenvolvidos se traduzam num “maior convívio e partilha dos constrangimentos e das dificuldades que as regiões ultraperiféricas têm”.
Além deste assunto, Manuel Amante da Rosa indicou que o diálogo permanente que a UE tem mantido com o seu país se deve “muito ao interesse de Cabo Verde em manter uma relação próxima com a UE e a UE de encontrar em Cabo Verde um parceiro credível, seguro e onde os projetos têm sido implementados até ao fim”.
“Congratulamo-nos também de ver que Cabo Verde celebrará no próximo ano, em 2027, 20 anos da parceria especial com a UE. Devo dizer que Cabo Verde é o único país africano que tem esse estatuto junto da UE e nós temos feito muito em Cabo Verde para que essa permanência se desenvolva e traga benefícios para o povo cabo-verdiano”, referiu.
Paulo Rangel também destacou que Cabo Verde é “pioneiro na relação entre os países africanos e a UE”, salientando que “é absolutamente impressionante a quantidade de áreas [de cooperação] que começaram em Cabo Verde e depois foram projetadas para outros países”.
O ministro destacou as relações entre as duas partes a nível de comércio e pescas, segurança marítima e de mobilidade. Salientou ainda que a UE já investiu 400 milhões de euros em Cabo Verde através do Global Gateway, o plano do bloco para mobilizar investimento em infraestruturas em países fora do bloco.
Por último, Rangel realçou o facto de, há duas semanas, a UE ter aprovado uma nova medida de assistência, no valor de 60 milhões de euros, para reforçar as Forças Armadas de Cabo Verde, ao abrigo do Fundo Europeu de Apoio à Paz.
Esta foi a 14.ª reunião de alto nível entre a UE e Cabo Verde, que estabeleceram uma parceria especial em 2007, a única que o bloco europeu tem com um país do continente africano.
Para assinalar os 20 anos dessa parceria, a próxima reunião de alto nível entre as duas partes vai realizar-se em Cabo Verde, no próximo ano.
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