Da chantagem ao falhanço no Benfica. O que é feito de Kikin Fonseca?
José Francisco Fonseca Guzmán pode não dizer nada aos adeptos do futebol português, mas se trouxermos para cima da mesa o nome Kikin Fonseca a memória refresca-se e muitos já se vão recordar deste antigo avançado mexicano.
Jogador com créditos firmados no México, Fonseca nasceu na cidade de Léon e começou a sua formação no La Piedad. Na viragem para o século XXI, em 1998, o dianteiro rumou ao Unión de Curtidores, antes de se mudar para o Venados de Yucatán. Desde cedo que o mexicano mostrou as suas credenciais: um poder de cabeceamento de grande qualidade e um finalizador nato e fadado para as grandes decisões.
Acabou por voltar ao La Piedad e foi aí que chamou a atenção de um dos grandes clubes do futebol do México, tendo dado o salto para o Pumas em 2002 por indicação de Hugo Sánchez. Tornou-se rapidamente um ídolo das massas. Foi com a camisola do Pumas que, em duas épocas e meia, conquistou dois dos seus principais títulos na carreira.
Após exibições impressionantes nos torneio de Apertura e Clausura de 2003, consolidou o seu lugar na equipa titular dos Pumas no Clausura de 2004, durante a qual ajudou a levar os Pumas ao título. Depois de ajudar os Pumas a conquistar um segundo título na época de Apertura de 2004, tendo marcado 25 golos em 81 jogos pela equipa sediada na Cidade do México, Fonseca foi transferido para o Cruz Azul no início de 2005. Foi por esta altura que também começou a ser chamado à seleção do México.
Kikin Fonseca e Ricardo Carvalho numa disputa de bola© Getty Images
No Cruz Azul, o ponta de lança foi também um jogador importante, disputando 51 jogos e marcando 26 golos. Fonseca ia a todo o gás no crescimento na carreira e mudou-se para o Benfica no verão de 2006, por uma verba a rondar os 3,5 milhões de euros, após ter marcado a Portugal num dos quatro jogos que disputou no Campeonato do Mundo de 2006, na Alemanha e um ano depois de ter dado nas vistas na Taça das Confederações – faturou diante de Japão e Alemanha.
Viagem até à Europa não correu como desejava
No entanto, as coisas não lhe correram bem em Portugal, numa altura em que tinha como principais concorrentes Nuno Gomes e Fabrizio Miccoli. Precisou de 12 jogos para marcar o primeiro golo de águia ao peito e acabou por sair oito meses depois com apenas 13 jogos e 3 golos marcados. Mais tarde, Fonseca chegou a revelar que foi alvo de uma alegada chantagem, em que lhe pediram cerca de 400 mil euros para continuar em Lisboa.
Fechada a passagem pela Europa, Kikin Fonseca regressou ao país-natal e rubricou contrato com o Tigres. Ainda assim, nunca recuperou os atributos e qualidade que lhe abriram as portas da Europa. Nos anos que se seguiram, e apesar de continuar a ser um dos atletas que era chamado à seleção, o avançado fez mais de 200 jogos entre o Tigres e o Atlante, também do México, e 28 jogos no espaço de cerca de sete anos.
Já longe da ribalta do México, Kikin terminaria a carreira em 2014 no Santos de Guápilles, da Costa Rica, algo esquecido e longe da importância que teve do futebol mexicano.
E agora, Kikin Fonseca?
Ainda que não tenha assumido funções diretamente ligadas ao futebol, Kikin Fonseca, que nas redes sociais indica ser treinador – o que dá a entender que, pelo menos, tirou esse mesmo curso -, é atualmente comentador desportivo no canal mexicano TUDN.
No que diz respeito à passagem pela seleção do México, Kikin Fonseca despediu-se da formação tricolor com 43 jogos e 21 golos. Marcou presença no Campeonato do Mundo de 2006, na Gold Cup de 2007 e ainda na Taça das Confederações.
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Davide Rodrigues Araújo | 07:47 – 03/10/2026
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