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“Jorge Jesus assumiu erro, mas Cristiano Ronaldo quis que se ajoelhasse”

“Jorge Jesus assumiu erro, mas Cristiano Ronaldo quis que se ajoelhasse”

Luís Vidigal concedeu uma extensa entrevista à edição deste domingo do jornal italiano Gazzetta dello Sport, na qual ‘tomou partido’ de Jorge Jesus, no caso que culminou com o abandono de Cristiano Ronaldo do estágio da principal seleção de Portugal, em plena disputa da fase de grupos da Liga das Nações.
 
“Por favor, chega. O treinador fez aquilo que tinha de fazer. Quando Ronaldo apanhou o avião de volta, eu pensei logo que ele iria arrepender-se daquilo que estava a fazer. O comunicado que publicou não justifica tudo. Jesus assumiu que errou, mas passar disso a fazê-lo ajoelhar-se penso que é algo que já não existe em lado nenhum”, atirou.
“Quando o Cristiano estava nos escalões de formação do Sporting, eu já estava na equipa principal. Se ele olhava para mim como um modelo físico. Nunca falei diretamente com ele sobre isso. Talvez esse fosse verdadeiramente o caso, uma vez que ele ainda estava na formação”, acrescentou.
Natural de Lubango, em Angola, Luís Vidigal mudou-se para Portugal com ‘tenra’ idade, tendo cumprido formação no O Elvas, antes de se mudar para o Estoril, em 1994, e, daí, logo no ano seguinte, para o Sporting, clube que acabaria por representar até 2000, com nove golos e quatro assistências ao cabo de 139 jogos oficiais, pelo meio.
O agora comentador desportivo, de 53 anos de idade, acabaria, então, por seguir viagem rumo a Itália, onde se destacou ao serviço de Napoli, Udinese e Livorno, antes de regressar a solo nacional, em 2008, para realizar aquela que foi a última temporada desportiva da carreira, ao serviço do Estrela da Amadora.
A polémica expulsão no Sporting-Bologna
Nesta mesma entrevista, Luís Vidigal debruçou-se sobre uma série de momentos marcantes, entre eles, a tão badalada derrota do Sporting ante o Bologna, em setembro de 1998, para a primeira mão da ronda inaugural da Taça UEFA, quando entrou para o lugar de Marco Aurélio… e foi expulso, apenas dois minutos depois.
“O Beppe [Signori] tinha uma grande experiência, e já tinha causado dificuldades ao nosso defesa-central. Eu tentei travá-lo, ele fez uma finta e veio diretamente contra mim. Eu ergui as mãos para me proteger, mas acabámos cara a cara, e ele caiu. O árbitro pensou que o tinha atingido, e expulsou-me”, justificou-se.
“Durante o último Sporting-Bologna, para a Liga dos Campeões, eu estava no túnel de acesso aos balneários, a trabalhar para uma televisiva. O Vincenzo Italiano reconheceu-me, mas eu não o reconheci. Ele disse ‘Eu conheço-te, jogámos um contra o outro’. Foi um grande prazer, tendo em conta aquilo que ele está a fazer, agora”, completou.
A terminar, o antigo internacional português explicou como foi trabalhar com Giuseppe Materazzi, no Estádio José Alvalade: “Nos estágios, comíamos de tudo. Doces com creme, pratos, sobremesas… Materazzi olhou para o menu, perplexo, e, no dia seguinte, tomou uma decisão. Zero doces, porções controladas. Nessa equipa, estava Peter Schmeichel, e perguntou como poderia comer apenas 100 gramas de arroz. Eu respondi-lhe ‘É a vida’, meu amigo'”.
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