Transportes e armazenagem empregam 246,5 mil pessoas e cresceram 60,9% numa década
O setor de transportes e armazenamento empregava 246,5 mil pessoas no segundo trimestre de 2026, o equivalente a 4,6% do emprego total em Portugal, tendo aumentado a capacidade laboral em 60,9% entre 2014 e 2024, segundo uma análise da Randstad Research divulgada esta segunda-feira, 12 de outubro.
O estudo, elaborado com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), do Eurostat e do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), mostra que o número de empresas do setor triplicou na última década, de 21,5 mil em 2014 para 64,5 mil em 2024, impulsionado pelo transporte terrestre e pelo crescimento do comércio eletrónico e das entregas expresso.
Em 2024, o setor registava 242,8 mil profissionais ao serviço, face a 150,9 mil em 2014. O subsetor de correios e entregas triplicou no período, enquanto a armazenagem cresceu 30,5%.
O chamado “core” logístico — que reúne armazenagem, atividades auxiliares, correios e entregas — representa atualmente 30% do emprego do setor, com 71,5 mil trabalhadores.
A remuneração média mensal nos transportes e armazenamento atingiu 2.156,79 euros em 2024, 33,8% acima da média nacional. Na armazenagem, o valor subiu para 2.449,18 euros, mais 52% do que a média do país, e nos correios fixou-se em 2.095,08 euros, mais 30%.
Quase metade da força de trabalho do setor (46,5%) é composta por operadores de máquinas, instalações e condutores, num total de 110,8 mil profissionais. O apoio administrativo concentra 19,5% dos trabalhadores e os quadros técnicos e de gestão representam 18,6%.
Apesar do crescimento, o setor mantém uma forte disparidade de género: os homens representam 79,4% do pessoal ao serviço (195,8 mil), contra 20,6% de mulheres (50,7 mil).
“Os dados revelam um setor extremamente dinâmico e crucial para a economia portuguesa, com salários acima da média nacional e uma forte capacidade de criação de emprego”, afirmou a diretora de marketing da Randstad Portugal, Isabel Roseiro, citada no comunicado, defendendo que a promoção da paridade de género é uma “necessidade estratégica” num contexto de escassez de profissionais.
Quanto ao desemprego registado no setor, mantém-se na ordem dos 2% do total nacional, embora com forte componente sazonal, com picos em janeiro associados ao fim dos contratos temporários do período natalício. Em agosto de 2026, o número de inscritos desceu para 5,3 mil, menos 12,6% do que o pico de 6.149 registado no início do ano.
Geograficamente, Lisboa e Vale do Tejo (2.174 pessoas) e o Norte (1.805) concentram 74,1% dos desempregados do setor. Em termos relativos, o desemprego na logística tem maior peso no Algarve (2,9%), na Madeira (2,8%) e em Lisboa (2,5%).
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