Fitch avisa França: descontrolo das contas pode levar a corte de rating
A trajetória orçamental descontrolada de França pode levar a um corte de notação dos seus títulos de dívida pública, alertou a Fitch esta segunda-feira, isto numa altura em que a discussão em torno do orçamento para o próximo ano continua sem dar grande esperança de maior sustentabilidade das contas públicas.
A agência diz que o progresso em torno do debate para aprovação do Orçamento do Estado (OE) para o próximo tem sido fraco, o que prolonga a dinâmica desfavorável da dívida. A prejudicar ainda mais a economia francesa, o crescimento tem sido próximo de nulo e os juros soberanos dispararam, agravando ainda mais a situação do lado da despesa.
França tem atualmente uma notação de ‘A+’ com perspetivas ‘estáveis’, tal como, por exemplo, Portugal, cujo rating foi melhorado este ano por várias agências de referência. No entanto, e enquanto Portugal consegue crescer na casa dos 2% e combinar isso com um saldo orçamental positivo e redução do rácio de dívida, o descontrolo francês é evidente.
A dívida pública está em linha para chegar a 119% do PIB no final deste ano, isto depois de ter fechado 2025 com um máximo histórico de 115,6% – ou seja, acima do registado durante a pandemia, quando os rácios da esmagadora maioria dos países dispararam. A projeção do Ministério das Finanças é que o indicador chegue a 121,7% no final do próximo ano, caso não sejam tomadas medidas.
O OE que agora se discute em Paris não confere, contudo, a correção necessária. Na ausência de um orçamento para o próximo ano, o défice deste ano deve fechar em 5,4% e o do próximo em 6,4%, valores muito acima do referencial de 3% definido por Bruxelas. Dadas as repetidas violações deste limite, França está já sob um procedimento por défice excessivo.
Em linha com esta preocupante prestação orçamental, os custos de financiamento do país dispararam recentemente. Os títulos a 10 anos têm estado em torno de 5% grande parte do mês de outubro, o que corresponde a níveis não vistos desde a crise financeira global. Em 2025, a yield média nesta maturidade havia sido de 3,4%.
Também o spread para os títulos alemães a 10 anos tem estado em níveis não vistos em vários anos, chegando a 140 pontos base (pb). Na mesma linha, os credit default swaps (CDS) franceses dispararam este ano, mostrando a apreensão do mercado com a possibilidade de um incumprimento da segunda maior economia do bloco europeu.
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