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FMI alerta para impacto da subida dos juros soberanos com dívida global a aproximar-se de 100% do PIB

FMI alerta para impacto da subida dos juros soberanos com dívida global a aproximar-se de 100% do PIB

Os governos nacionais devem tomar medidas para controlar a evolução da dívida, que se aproxima a passos largos dos 100% do PIB a nível global e tem agravado significativamente a despesa pública com a atual subida nos juros soberanos. Quem alerta é o Fundo Monetário Internacional (FMI)
O aviso foi feito na apresentação do ‘Fiscal Monitor 2026’, esta quarta-feira, no encontro anual do FMI e Banco Mundial, desta feita em Banguecoque, na Tailândia. E surge numa altura em que os juros soberanos da maioria das economias ocidentais e mais avançadas toca máximos de vários anos, à boleia de uma inflação que não dá sinais de abrandamento, competição feroz por capital e indicadores macro insustentáveis.
A dívida pública global fechou 2025 em 94% do PIB mundial e, na trajetória atual, chegará a 100% em 2029, alerta o relatório. As principais responsáveis por esta evolução serão as grandes economias mais avançadas, continua o Fundo, pedindo medidas urgentes para corrigir esta evolução.
Este disparo nas yields está a agravar significativamente os custos de financiamento para os governos nacionais, o que combina com uma demografia desfavorável, custos sociais crescentes e assinaláveis, e gastos com investimento em defesa e tecnologia. Com o rácio global de dívida a aproximar-se dos 100% do PIB mundial, os custos futuros são evidentes.
O FMI projeta que os custos de financiamento saltem de 2,3% em 2021 para 3,7% em 2031, sendo que o cenário é mais gravoso em grandes economias altamente endividadas, como os EUA. A maior economia do mundo deverá pagar o equivalente a mais de 5% do seu PIB em juros em 2031, ou seja, quase o dobro em relação aos 2,8% que pagavam antes da Covid.
“Vemos pouca evidência de qualquer consolidação orçamental este ano”, aponta Rodrigo Valdés, diretor do departamento de questões orçamentais do FMI. “Não sabemos qual o ponto de ruptura, mas, quanto mais esperarmos, maior o risco de estarmos próximo de um”, continuou.
Os governos nacionais devem, portanto, corrigir urgentemente a trajetória da dívida – e antes que os mercados o façam por eles, completou.
Políticas que fomentem o emprego reforçam a receita fiscal e contributiva, apontam, e a simplificação fiscal pode estimular a economia e a arrecadação de impostos, revertendo uma realidade que atualmente está a condicionar a produtividade das empresas. Para as economias avançadas, o impacto das primeiras políticas pode chegar a 0,8 pontos percentuais (pp) do PIB, enquanto a diferença de uma autoridade tributária ágil pode ascender a 1,7 pp do PIB em receita fiscal.

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