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Lufthansa já está a olhar para a segunda fase da privatização

Lufthansa já está a olhar para a segunda fase da privatização

Ainda o contrato da primeira fase não foi assinado, mas a Lufthansa já está a olhar para a segunda fase da privatização da TAP.
“O grupo Lufthansa congratula o anúncio de hoje  [quarta-feira, 14 de outubro] pelo Governo português para iniciar o processo da privatização total da TAP Air Portugal. Negócios anteriores demonstram que uma maioria cria benefícios adicionais para todas as partes envolvidas”, reagiu a empresa alemã esta quarta-feira, 14 de outubro.
A companhia germânica pagou 1.025 milhões de euros para comprar 44,9% da companhia, prevendo gastar mais de 1.200 milhões de euros para comprar os restantes 5% à venda, que estão reservado a trabalhadores, dependendo da adesão destes ao processo, bem como “uma componente adicional associada ao decurso do tempo (ticking fee)”.
A empresa disse estar “agora a trabalhar em conjunto com o Governo português e a Parpública para finalizar a documentação relativa à transação, prevendo concluir e assinar os acordos de aquisição da participação em breve”.
Presente em Portugal há mais de 70 anos, as companhias do grupo contam com 353 voos semanais para seis destinos em Portugal, mais 75% da capacidade face a 2019. O grupo conta com mais de 500 profissionais qualificados em Portugal. “Com a construção da nova unidade da Lufthansa Technik em Santa Maria da Feira, perto do Porto, cuja primeira pedra foi lançada em junho, prevê-se que este número aumente para mais de 1.000 postos de trabalho diretos até 2030”.
O presidente da companhia aérea disse que o Governo português “abriu caminho para que a TAP Air Portugal possa dar continuidade à sua trajetória de sucesso em conjunto com o Grupo Lufthansa. Ao mesmo tempo, esta decisão permite-nos prosseguir de forma consistente a nossa estratégia de internacionalização e reforçar de forma sustentável a nossa posição no mercado do Atlântico Sul”.
“O nosso Grupo mantém, há muitos anos, uma relação de proximidade e confiança com Portugal. Ao longo de décadas, investimos no país, criámos e assegurámos postos de trabalho altamente qualificados e contribuímos para ligar Portugal à Europa e ao resto do mundo. Estamos entusiasmados com a perspetiva de construir um futuro conjunto com a TAP Air Portugal e de dar continuidade à cooperação construtiva com o Governo português”, segundo Carsten Spohr.
Estado português torna-se segundo maior acionista da Lufthansa na segunda fase de privatização da TAP
O Governo anunciou esta quarta-feira, 14 de outubro, o lançamento da segunda fase de privatização da TAP.
Com 45% da companhia aérea portuguesa já nas mãos dos alemães da Lufthansa, agora o executivo quer colocar o restante capital nas mãos do acionista privado até 2028.
Depois de escolhido o vencedor, o Conselho de Ministros terá de aprovar os instrumentos contratuais, como o contrato de compra e venda de ações e o acordo parassocial. Depois, a operação ainda terá de obter a luz verde da Direção-Geral da Concorrência (DGComp) da Comissão Europeia.
A privatização da TAP só estará concluída em 2028. Com a escolha do vencedor prevista para este mês, o ministro das Finanças prevê que a autorização da Direção-Geral da Concorrência (DGComp) da Comissão Europeia tenha lugar no espaço de 18 a 24 meses.
A companhia alemã tem vindo a dizer que ambiciona a TAP como “principal companhia aérea para o Atlântico Sul” a partir de Lisboa.
A proposta reforça “ainda mais o nosso compromisso de longo prazo com a TAP e com Portugal”, disse fonte oficial da Lufthansa ao JE a 30 de setembro quando entregou a proposta melhorada.
“A nossa proposta reflete a nossa convicção de que, com base no nosso historial comprovado de desenvolvimento bem-sucedido de companhias aéreas de rede, o Grupo Lufthansa é o melhor parceiro para apoiar o crescimento futuro da TAP, reforçar a sua competitividade e continuar a desenvolver o seu papel enquanto companhia aérea de bandeira de Portugal”, disse a empresa na altura.
As propostas melhoradas para 44,9% da TAP superam os mil milhões de euros. Isto significa que avaliação dos 100% da companhia aérea portuguesa superam os dois mil milhões de euros, revelou recentemente a “Bloomberg”.
Nos critérios definidos pelo Governo para as propostas pela TAP, esteve o “encaixe imediato” de dinheiro, mas também a “qualidade do plano industrial e estratégico de longo prazo”, incluindo o crescimento da frota e o plano de desenvolvimento do novo aeroporto de Lisboa.
Outros critérios são o investimento na operação aérea no Porto e restantes aeroportos, combustíveis sustentáveis e manutenção e engenharia. O executivo de Luís Montenegro também deixou em aberto a possibilidade de uma segunda fase de privatização, que seria sujeito a um processo autónomo.

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