Mercados preparam-se para dados de inflação dos EUA e crise energética provocada pela geopolítica
Os mercados globais enfrentam uma sessão decisiva nesta quarta-feira, com os investidores a aguardar os dados de preços no consumidor dos Estados Unidos que podem influenciar as expectativas sobre a política da Reserva Federal, enquanto o petróleo se mantém em níveis elevados após um ataque com drones ucranianos ter danificado um importante terminal de combustíveis na região russa de Rostov, apesar da trégua acordada com Donald Trump.
A época de resultados empresariais (especialmente bancos americanos) e o CPI americano de setembro, o último grande dado de inflação antes da reunião da Fed no final do mês marca o dia. As yields elevados continuam a ser o tema dominante de 2026, com o 10 anos americano a rondar os 5,2% e o longo prazo a testar máximos de décadas. O petróleo mantém-se elevado por riscos geopolíticos, apesar de alguma correção recente.
Os futuros de Wall Street apontavam para uma abertura mista. O S&P 500 rondava os 7.810 pontos, o Dow Jones perto dos 52.000 e o Nasdaq continuava sob pressão no setor tecnológico, devido a preocupações com o investimento em inteligência artificial e a concorrência.
O Bank of America, Morgan Stanley e BlackRock estão entre as grandes empresas que apresentam resultados, prolongando a época de resultados que arrancou com sinais mistos de outros grandes bancos.
Já as ações europeias preparavam-se para um arranque cauteloso, depois de o Stoxx 600 ter fechado praticamente inalterado na terça-feira, pressionado pelas quedas no setor tecnológico, incluindo a ASML. O DAX alemão negociava perto dos 25.200-25.400 pontos, enquanto o FTSE 100 mostrava maior resiliência. As preocupações fiscais em França e a inflação residual na zona euro continuavam a influenciar o sentimento.
No mercado de obrigações, o yield das Treasury a 10 anos dos EUA desceu ligeiramente para a zona dos 5,19-5,22%, depois de ter tocado recentemente máximos de várias décadas perto de 5,35%. As yields de longo prazo mantêm-se elevados, refletindo preocupações persistentes com défices fiscais, inflação impulsionada pela energia e a política dos bancos centrais.
Na Europa, as yields francesas e britânicas mantêm-se sob escrutínio (França a pagar mais do que Itália/Grécia em alguns momentos). O mercado de obrigações está a ser o principal “termómetro” de stress, mais do que as ações.
O evento principal desta quarta-feira é o índice de preços no consumidor (CPI) dos EUA relativo a setembro, previsto para as 13h30 GMT. Os economistas esperam uma subida mensal de 0,6% no índice geral, elevando a taxa anual para cerca de 3,7%, com a medida subjacente (core) a registar 0,2% mês a mês e 2,5% em termos anuais. O Beige Book da Reserva Federal também será publicado mais tarde nesta quarta-feira. Os dados serão acompanhados de perto para avaliar se a Fed pode manter as taxas estáveis na reunião de final de outubro.
Os investidores monitorizarão ainda as declarações da presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde. A combinação de leituras de inflação, resultados bancários e tensões geopolíticas contínuas na Ucrânia e no Médio Oriente deverá gerar volatilidade nos mercados de ações, obrigações e matérias-primas.
Os preços do petróleo mantiveram-se firmes após uma correção moderada. O Brent negociava perto dos 104-105 dólares por barril e o crude americano em torno dos 92 dólares, provocados pelos riscos geopolíticos, mesmo com as esperanças de aumento das exportações de diesel russo e de maior produção saudita a limitarem novos ganhos. O spread Brent-WTI permanecia alargado, perto dos 13 dólares.
Ainda assim, os riscos geopolíticos no Médio Oriente (ataques Houthi a infraestruturas sauditas e pressão iraniana no Estreito de Ormuz) mantêm o prémio de risco elevado.
O foco no mercado energético intensificou-se depois de drones ucranianos terem atingido o terminal de carregamento de petróleo NZNP em Rostov-on-Don, na noite de 9 para 10 de outubro, ligado à refinaria de Novoshakhtinsk. O terminal trata produtos petrolíferos para exportação e para uso militar. Meios de comunicação russos independentes e analistas de fontes abertas indicaram que pelo menos sete dos 12 grandes tanques de armazenamento da instalação foram danificados ou destruídos, com o incêndio a prolongar-se por vários dias. O ataque ocorreu horas depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, ter anunciado um acordo com o presidente russo, Vladimir Putin, destinado a aumentar o fornecimento de diesel russo aos mercados globais.
A Ucrânia tem conduzido uma campanha sustentada de ataques de longo alcance contra infraestruturas energéticas russas; o presidente Volodymyr Zelensky afirmou que Kyiv suspendeu temporariamente esses ataques após o anúncio de um “cessar-fogo energético” por parte de Trump, ao mesmo tempo que acusava Moscovo de continuar a atingir instalações elétricas ucranianas.
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