Portugal e China retomam cooperação científica e tecnológica com plano estratégico até 2030
O Ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, e a Secretária de Estado da Ciência e Inovação, Helena Canhão, iniciam esta quinta-feira uma visita oficial à China. Na agenda está a reativação da Comissão Mista de Ciência e Tecnologia — suspensa desde 2019 — e o debate sobre o reconhecimento mútuo de graus académicos.
Portugal e a China voltam a sentar-se à mesa para definir as áreas prioritárias de cooperação nas vertentes de investigação e inovação. A comitiva governamental portuguesa inicia esta quinta-feira uma deslocação oficial às cidades chinesas de Tianjin, Pequim e Xangai, com o objetivo central de negociar um Plano de Ação Conjunto Portugal-China para a Ciência e a Inovação focado no período de 2027 a 2030.
A realização da X Comissão Mista de Ciência e Tecnologia surge na sequência da viagem realizada por Fernando Alexandre à China em junho passado, na qual ficou acordado com o ministro chinês da Ciência e Tecnologia, Yin Hejun, o reatar deste fórum bilateral suspenso desde 2019. No encerramento dos trabalhos prevê-se a assinatura de uma Declaração Conjunta que fixará os eixos de cooperação até ao final da década.
“A China assume hoje uma importância crescente para Portugal devido aos seus avanços na Ciência, na Tecnologia e no Ensino Superior. A China tem algumas das instituições mais relevantes a nível internacional e que lideram em diversas áreas”, realçou o Ministro Fernando Alexandre.
Outro dos pontos de destaque da missão prende-se com o ensino superior. O Governo português pretende reativar as negociações para a celebração de um acordo bilateral relativo ao reconhecimento mútuo de diplomas e respetivas durações, estabelecendo a equivalência entre a Licenciatura, o Mestrado e o Doutoramento em Portugal e os graus chineses Xueshi, Shuoshi e Boshi.
Segundo o titular da pasta da Educação, Ciência e Inovação, “o reconhecimento mútuo das qualificações precisa de ser aperfeiçoado e agilizado, sendo essencial para a mobilidade de estudantes e para a circulação de talento”.
Comitiva alargada ao ensino superior e à investigação
A comitiva portuguesa integra representantes da Agência para a Investigação e Inovação (AI²), do Instituto para o Ensino Superior (IES, I.P.) e da Direção-Geral de Estudos, Planeamento e Avaliação. Juntam-se também dirigentes do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) — com a presença do seu presidente e reitor da Universidade de Lisboa, Luís Ferreira —, do Conselho Coordinating dos Institutos Politécnicos (CCISP) — liderado por Luís Loures —, além de reitores, vice-reitores e responsáveis de diversos centros de investigação (como o Gulbenkian Institute for Molecular Medicine, INESC TEC e INESC-ID).
O itinerário oficial tem início em Tianjin, onde Fernando Alexandre manterá uma reunião bilateral com o Ministro da Educação chinês, Huai Jinpeng, e discursará na sessão plenária da 2026 World Vocational and Technical Education Development Conference. O programa inclui ainda visitas à Tianjin Foreign Studies University e à Nankai University.
Em Pequim, a 19 de outubro, decorrerá a reunião principal da X Comissão Mista com o Ministro Yin Hejun. Estão igualmente programadas visitas à Peking University, à Academia Chinesa de Ciências, ao National Institute of Biological Sciences e ao Beijing Humanoid Robot Innovation Center (primeiro centro de inovação provincial focado em robótica humanoide).
A deslocação termina na região de Xangai, com visitas à Shanghai Ocean University (parceira do Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve), à ULisboa School na Shanghai University, à Universidade de Suzhou, à Shanghai Tech University e ao iHuman Institute, além de um encontro agendado com a comunidade académica e empresarial portuguesa fixada na região.
Share this content:


Publicar comentário