A carregar agora

Sall avança com ação judicial contra ERC por causa da campanha “Obrigado Mãe”

Sall avança com ação judicial contra ERC por causa da campanha “Obrigado Mãe”

O Sall – Associação de Defesa da Liberdade avançou com uma ação administrativa contra a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), contestando a qualificação da campanha “Obrigado Mãe” como suscetível de influenciar negativamente crianças e adolescentes e de introduzir elementos de censura social. Em causa está a possibilidade de o regulador público qualificar como nociva para menores e mulheres uma mensagem por esta defender o direito a nascer.
A ação deu entrada no Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa e visa impugnar parte da deliberação do Conselho Regulador da ERC que determinou a abertura de processos de contraordenação contra a TVI, a CNN Portugal, a CMTV e a News Now, pela transmissão da campanha em blocos publicitários. As infrações em causa são puníveis com coimas entre 20 mil e 150 mil euros.
Em comunicado divulgado esta quarta-feira, o Sall sustenta que a deliberação da ERC coloca em causa a liberdade de expressão, ao considerar potencialmente nociva uma mensagem de defesa da vida e de agradecimento às mulheres que decidiram avançar com a gravidez.
A associação argumenta que o discurso político, moral e de interesse público beneficia de proteção reforçada ao abrigo da Constituição da República Portuguesa e da Convenção Europeia dos Direitos Humanos. Invoca ainda a jurisprudência do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, defendendo que a liberdade de expressão assume particular importância quando estão em causa ideias que contestam posições estabelecidas.
O Sall considera também que a posição agora assumida pelo regulador contrasta com decisões anteriores. Em 2007, a ERC arquivou uma queixa relativa a um anúncio do Bloco de Esquerda favorável à liberalização do aborto, numa altura em que a prática ainda não tinha sido despenalizada.
A associação aponta igualmente para a decisão de 2020 que arquivou participações relativas ao episódio «Destemidas», transmitido no espaço infantojuvenil Zig Zag, da RTP2, e que, segundo o Sall, promovia a luta pela liberalização do aborto.
Mais recentemente, em maio de 2026, a ERC arquivou participações relativas a um episódio da série de animação “Sex Symbols”, também emitida na RTP2, no qual uma personagem transgénero abordava questões relacionadas com a identidade de género e o corpo. Na altura, o regulador considerou que o episódio tinha uma dimensão educativa e não era suscetível de influenciar negativamente a formação da personalidade de crianças e jovens.
O Sall afirma que não contesta a competência da ERC para proteger os menores, mas considera que essa atribuição não deve permitir classificar uma posição favorável à vida como nociva apenas por ser persuasiva ou crítica da prática do aborto, sem a identificação de um elemento objetivamente lesivo.
A associação recorreu à figura da ação popular, que permite agir judicialmente em defesa de interesses coletivos, alegando que a deliberação pode criar um precedente de restrição estatal à liberdade de expressão no debate sobre o aborto.
Caso o tribunal dê razão ao Sall, poderá ser afastada a qualificação que sustenta uma das infrações imputadas aos operadores de televisão. Esse eventual desfecho poderá ser invocado pelas empresas de comunicação social no âmbito dos processos de contraordenação em curso.

Share this content:

Publicar comentário