TAP: Defesa realça que Tancos terá uso civil sem prejudicar operações militares
O Ministério da Defesa Nacional realçou hoje que a futura escola de pilotos da Lufthansa em Tancos terá de funcionar sem comprometer a vocação militar do aeródromo, estando previstos investimentos para reforçar a capacidade operacional do Exército.
Em resposta a perguntas da agência Lusa, a tutela sublinha que o Aeródromo Militar de Tancos, situado no concelho de Vila Nova da Barquinha, distrito de Santarém, é uma infraestrutura do Exército que necessita de investimentos para a requalificação da pista, torre e edifícios, de forma a garantir o seu potencial militar e permitir também a utilização civil, “em termos que não afetem a sua vocação militar primordial”.
O ministério tutelado por Nuno Melo aponta que outros aeródromos militares em Portugal já permitem uso civil em maior ou menor dimensão, tendo em conta a avaliação de diferentes critérios, “desde que não prejudiquem a função primordialmente militar”, dando como exemplo as bases militares da Força Aérea em Beja e Lajes, no arquipélago dos Açores.
O Governo realça que o aeródromo de Tancos “é estratégico” para o Exército, nomeadamente no treino e transporte de tropas paraquedistas e enquanto base da Aviação Ligeira do Exército, que deverá receber ainda este ano as primeiras aeronaves de asa rotativa.
“Não obstante, pela respetiva dimensão, localização e características, o Aeródromo Militar de Tancos, beneficiando de relevantes investimentos de reabilitação e modernização, aumentará a capacidade operacional do Exército e permitirá, no que não seja incompatível, a utilização para fins civis e também de apoio militar às populações civis”, lê-se na resposta enviada à Lusa.
Quanto à futura escola de pilotos, o ministério remeteu os detalhes para a conclusão dos processos negociais em curso, não esclarecendo, para já, o modelo de gestão conjunta da infraestrutura, a repartição dos investimentos ou a eventual abertura a outras operações de aviação civil.
A posição surge na sequência do anúncio feito na quarta-feira pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, de um investimento de 500 milhões de euros (ME) associado à instalação de uma escola de pilotos da Lufthansa em Tancos, no âmbito da proposta do grupo alemão para a privatização parcial da TAP.~
O ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, anunciou uma comparticipação pública de cerca de 50 ME, destinada sobretudo à intervenção na pista, que passará a permitir utilização civil e militar. O projeto deverá criar cerca de 200 postos de trabalho, com entrada em funcionamento prevista para 2029 ou 2030.
A utilização civil e militar de Tancos é defendida há vários anos pela Comunidade Intermunicipal (CIM) do Médio Tejo, que saudou hoje o anúncio do investimento, mas manifestou a expectativa de que a atividade civil não fique limitada à escola de pilotos.
“É uma excelente notícia, que nos deixa com grande expectativa e muito otimismo quanto à valorização de uma infraestrutura que há muito consideramos importante para a região e para o país”, afirmou à Lusa o presidente da CIM, Manuel Jorge Valamatos.
O também presidente da Câmara de Abrantes considerou que o projeto poderá impulsionar o desenvolvimento económico do Médio Tejo, atraindo empresas e atividades ligadas à aviação civil e militar.
Valamatos afirmou que a CIM tem acompanhado o processo através de contactos com sucessivos governos e com o Exército e adiantou que está prevista para a próxima semana uma reunião com o ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz.
Em novembro de 2024, após uma reunião com o chefe do Estado-Maior do Exército, os autarcas do Médio Tejo consideraram existir abertura da instituição militar à utilização dual do aeródromo, ficando a concretização da proposta dependente de decisões políticas.
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