DBRS mantém ‘rating’ AAA da União Europeia e perspetiva estável apesar do aumento da dívida
A agência de notação financeira Morningstar DBRS confirmou a classificação de longo prazo da União Europeia (UE) em AAA, com perspetiva estável, considerando que o forte compromisso dos Estados-membros com o projeto europeu e a robustez dos mecanismos de apoio continuam a sustentar a qualidade de crédito da União, apesar do aumento da dívida e das tensões geopolíticas.
A DBRS anunciou hoje a manutenção do ‘rating’ de longo prazo da União Europeia em AAA e da notação de curto prazo em R-1 (high), mantendo a tendência estável para ambas as classificações.
Segundo a agência, a decisão reflete a expectativa de que “o compromisso e a capacidade dos Estados-membros para apoiar a União permaneçam muito fortes”, apesar da subida da dívida europeia e dos riscos geopolíticos que continuam a pressionar as perspetivas de crescimento económico.
A DBRS estima que a dívida da UE possa aproximar-se de um bilião de euros em 2026, impulsionada sobretudo pelos programas de financiamento comuns, nomeadamente o Next Generation EU (NGEU) e o mecanismo SAFE, destinado ao reforço das capacidades de defesa europeias.
Ainda assim, a agência considera que o aumento da margem orçamental acordada pelos Estados-membros reforça a capacidade da União para absorver choques e aumenta a proteção dos credores.
A classificação máxima atribuída à UE assenta na avaliação de apoio dos seus principais Estados-membros, em particular Alemanha, França, Espanha e Itália, bem como no contributo adicional de outros países com notação AAA.
A agência destaca igualmente a gestão orçamental conservadora da União, o seu estatuto de credor preferencial de facto e os vários mecanismos de serviço da dívida que, segundo a DBRS, oferecem proteção adicional aos investidores.
No relatório, a Morningstar DBRS reconhece que as tensões geopolíticas e as políticas comerciais protecionistas têm enfraquecido as perspetivas económicas europeias, embora considere que a economia da UE demonstrou resiliência face aos vários choques externos registados ao longo do último ano.
De acordo com as projeções mais recentes do Fundo Monetário Internacional, citadas pela agência, a economia da União Europeia deverá crescer 1,4% em 2026, enquanto a zona euro deverá avançar 1,2%.
A DBRS salienta ainda que o plano europeu de reforço da defesa, apoiado pelo programa SAFE, contribui para reforçar a coesão entre os Estados-membros num contexto de aumento das despesas militares, associadas à guerra na Ucrânia e ao agravamento das tensões internacionais.
A agência alerta, contudo, que o processo de consolidação orçamental de vários países europeus poderá ser adiado devido ao aumento dos gastos com defesa e aos desafios económicos e energéticos.
Quanto aos fatores que poderiam justificar uma futura descida da notação da União Europeia, a DBRS aponta uma deterioração significativa da qualidade creditícia de um dos principais Estados-membros, um aumento relevante do sentimento anti-UE que coloque em causa a coesão do bloco ou uma eventual descida do ‘rating’ da Alemanha.
A agência conclui que os riscos permanecem equilibrados e que a robustez institucional da União Europeia, aliada ao forte compromisso dos seus membros com as obrigações financeiras comuns, continua a sustentar a classificação máxima da UE.
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