Estados da União divergem sobre questões da imigração
O apoio à Ucrânia e a imigração irregular foi o tema central do segundo dia da cimeira da União Europeia em Bruxelas – e se no caso da Ucrânia o debate foi bastante pacífico, já no que tem a ver com a imigração, voltaram a suceder as mais diversas divergências. Os líderes da União Europeia entraram em conflito, prolongando as discussões para além do previsto. Dinamarca, Polónia e Itália pressionaram por mudanças no documento final, para incluírem uma referência indireta ao plano de regularização em larga escala da Espanha, que abrange 600 mil imigrantes indocumentados.
Um novo documento aconselhava os países a evitarem “medidas que possam criar incentivos à imigração ilegal”. E também pedia à Comissão Europeia que intensificasse a coordenação em matéria de políticas nacionais de imigração que pudessem afetar outros Estados-membros.
O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou ao final que as “divisões ideológicas” entre os 27 Estados-membros sobre a imigração são passiveis de tornar o bloco “ineficazes”. Macron manifestou o seu apoio a Espanha na crise de Ceuta. “Tivemos um mau debate”, disse Macron. “A minha avaliação é que, quando politizamos esse debate à mesa de negociações, criamos divisões. E quando estamos divididos e recorremos a soluções nacionais, somos ineficazes”.
O presidente francês descreveu a crise de Ceuta como uma “tragédia humanitária”, lembrando que a França não assinou a carta enviada a Bruxelas por 22 países da UE. “A Espanha foi alvo de um ataque híbrido”, disse. “Não precisamos de esperar até hoje para saber quem atacou a Espanha um dia depois do que aconteceu em Ceuta”.
Para o primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson, a União precisa de adaptar a sua política de asilo a uma potencial crise em que uma massa de imigrantes tente cruzar as fronteiras irregularmente de uma só vez, citando Espanha, Finlândia e Itália como exemplos. “Há uma instrumentalização dos fluxos migratórios. Portanto, não se pode fingir que serão os imigrantes individualmente que receberão asilo. A UE precisa de ser capaz de lidar com esses mecanismos de crise”, disse.
Para Kristersson, os líderes da UE precisam de dar à Comissão um mandato para abordar essa delicada questão. A presidente Ursula von der Leyen afirmou que está a preparar um protocolo de emergência para lidar com crises como a de Ceuta, enquanto crescem as vozes que pedem a suspensão temporária dos pedidos de asilo.
Comércio em alta
Por outro lado, os líderes da União deram um mandato à Comissão Europeia para criar um novo conjunto de ferramentas de defesa comercial destinado a responder aos desequilíbrios globais, afirmou o chanceler alemão Friedrich Merz em uma coletiva de imprensa.
Essas ferramentas deve incluir uma proposta franco-alemã conjunta para desenvolver um novo instrumento destinado a responder rapidamente às distorções macroeconómicas do mercado, que possa ser ativado mais facilmente com uma maioria qualificada invertida.
“A concorrência deve ser justa. Criaremos instrumentos para combater a alavancagem de capacidades, os elevados subsídios e as moedas subvalorizadas. E haverá um conjunto de ferramentas para isso. Esse conjunto de ferramentas será mais amplo. E será aplicado sempre que necessário”, afirmou. Merz instou a Comissão a desenvolver rapidamente as propostas legislativas e a adotá-las rapidamente.
Como sucedeu no dia anterior, o exemplo da China pouco foi chamado à coação. As propostas foram apresentadas como generalidades para defender a produção e o comércio do bloco e não como uma arma de ataque ao comércio chinês.
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