Tebas já respondeu ao Real Madrid: “É intimidação, já conheço o método”
Javier Tebas, presidente de La Liga e vice presidente da Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF), recorreu às suas redes sociais, na tarde desta sexta-feira, para reagir a nota do Real Madrid, na qual o clube da capital espanhola exigiu que Tebas se demita dos dois cargos, depois de o dirigente ter comparado a estratégia comunicacional do clube à usada por Joseph Goebbels, ministro da Propaganda nazi na Alemanha entre 1933 e 1945.
Numa extensa e mordaz publicação na rede social X (antigo Twitter), o presidente da La Liga reconheceu que já conhece esta estratégia utilizada pelo Real Madrid, orientado por José Mourinho, reiterando que é seu dever defender a competição que gere.
“Já perdi a conta das vezes que, ao longo de treze anos, os dirigentes do Real Madrid exigiram a minha demissão ou tentaram inabilitar-me: denúncias ao CSD, diretamente ou através de terceiros, queixas criminais… A de hoje, mais uma. O que continua a não chegar são as respostas. Confundem neutralidade com independência. O meu cargo exige independência, não passividade perante a injustiça nem silêncio perante o ataque contínuo, desmedido e insultuoso da Real Madrid TV e dos seus porta-vozes à nossa competição. O presidente da La Liga deve defendê-la. Também perante os dirigentes do Real Madrid”, começou por escrever Tebas.
Sobre as críticas do Real Madrid relativas ao caso Negreira, Javier Tebas levantou algumas questões.
“A La Liga agiu desde o primeiro momento no caso Negreira. Repetir que fomos passivos não torna isso verdade. Falemos da sua passividade: fazer-se presente não é um certificado permanente de atividade. Florentino permaneceu durante meses nos órgãos de direção da RFEF. Segundo o Relevo, a sua demissão da Gestora e a de Laporta foram apresentadas no mesmo dia: 30 de outubro de 2023. E na Assembleia de Delegados de 24 de novembro de 2024, quando questionado sobre a possibilidade de romper relações com o Barça, respondeu: ‘O Barça e o Real têm de se ajudar’. E acrescentou: ‘Porque é que nos iríamos zangar?’. Sim, sim, há menos de dois anos. Zangar-se com o FCB? Sem comentários. O que mudou? Por que razão esta escalada coincide com a ruptura do Barça com a Superliga? Mudou a gravidade dos factos ou os seus interesses? Onde estava antes a indignação da Real Madrid TV?”, questionou o dirigente espanhol.
“Se têm tanta certeza de que esses árbitros continuam a agir sob a influência de Negreira, oito anos após o fim dos pagamentos, que provas têm contra cada um deles? Que queixas individuais apresentaram junto das instâncias nacionais, da UEFA ou da FIFA? Exigir responsabilidades ao FCB não constitui prova de uma acusação contra cada árbitro. Um vídeo não substitui os indícios. Colocar pessoas na mira é algo de uma gravidade e irresponsabilidade enormes. Quanto à reforma da arbitragem, houve progressos e ainda há coisas por fazer. Gostaria que se avançasse mais depressa e mais longe. Mas as instituições não podem fazer o que os dirigentes do Real Madrid quiserem, de acordo com os seus interesses, o seu estado de espírito, a sua situação desportiva ou as suas relações com o FCB em cada momento. Nem podem prescindir dos outros intervenientes e do apoio da grande maioria dos clubes. Reformar não é obedecer-lhes”, destacou Javier Tebas.
Tebas refere ainda que o objetivo do Real Madrid é o de “destruir a competição nacional”
“O que ainda não conseguiram com a Superliga, tentam-no agora através de uma narrativa distorcida veiculada pelos seus meios de comunicação e pelos seus porta-vozes. Chamam-lhe ‘regeneração’, enquanto atacam o prestígio da competição em que participam (…) Se agirem de boa-fé, desmintam o que é falso, expliquem o que é verdade e revelem TODOS os dados. Depois, continuem a pedir a minha demissão, a minha inabilitação ou a minha «morte» social. Já conheço o procedimento. Também me lembro daquela frase: ‘Vou colocar toda a claque do Real Madrid contra ti e não vais poder andar na rua’. Deixem de colocar pessoas na mira e de confundir as críticas aos vossos dirigentes com ataques ao clube e aos seus adeptos. Tudo isto tem um nome: intimidação. Envolvê-la num comunicado oficial não a transforma em regeneração”, finalizou.
Polémica. Real Madrid quer saída de Tebas por comparação com regime nazi
Real Madrid emitiu um explosivo comunicado através das redes sociais a exigir a demissão de Javier Tebas. Presidente da La Liga comparou os métodos de comunicação dos merengues às estratégias utilizadas por Goebbels, ministro da Propaganda na Alemanha nazi.
Rodrigo Querido | 16:19 – 16/10/2026
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