Ra-Ro lança plataforma online para promover artesanato português e apoiar ofícios em risco
A Ra-Ro lançou a plataforma online ra-ro.eu, um marketplace dedicado ao artesanato português que reúne, numa fase inicial, 40 artesãos de todo o país, muitos dos quais trabalham em zonas do interior e preservam técnicas tradicionais em risco de desaparecimento.
A nova plataforma disponibiliza 141 peças feitas à mão, abrangendo áreas como cerâmica, cestaria, têxteis, madeira, cortiça, lã, vidro, cobre, sal e instrumentos musicais. Segundo a empresa, o objetivo passa por criar novas oportunidades de mercado para os artesãos, assumindo todas as componentes tecnológicas e logísticas do processo de venda.
“Num país em que o interior perde gente todos os anos, há saberes inteiros que dependem de uma única família”, afirma o cofundador da Ra-Ro, Luís Serra. “Se não houver quem compre, não há razão para ensinar quem vem a seguir. A ra-ro.eu existe para criar esse mercado.”
Entre os artesãos presentes na plataforma está César Teixeira, de Gondar, em Amarante, que, juntamente com o filho, mantém a tradição da cozedura do barro negro em soenga, uma técnica com mais de 400 anos. A plataforma integra também produtores e oficinas ligados a outras tradições artesanais, como o Vinho dos Mortos, de Boticas, o Bordado de Guimarães, a tecelagem de bunho e o trabalho em esparto.
Criada por três amigos, a Ra-Ro passou cerca de um ano a testar produtos junto do público e a estabelecer relações com os artesãos antes do lançamento. Os 40 artesãos estão distribuídos por 29 oficinas e produtores de mais de 20 concelhos, do Minho aos Açores.
De acordo com a empresa, em vez de exigir que os artesãos gerem lojas digitais, a Ra-Ro trata da fotografia das peças, da produção de conteúdos, das encomendas, da embalagem e da expedição para Portugal e para o estrangeiro.
“A nossa missão é perpetuar a portugalidade: garantir que aquilo que nos distingue como país continua a ser feito, e por quem sabe fazê-lo”, refere Luís Serra.
A plataforma introduziu também o chamado Índice Ra-Ro, uma classificação que pretende avaliar a raridade das peças e o grau de risco de desaparecimento dos respetivos ofícios. Das 141 peças disponíveis no lançamento, 60 são classificadas como “Raríssimas” e cinco como “Únicas”.
Nos meses de testes, a empresa registou encomendas provenientes da Alemanha, Reino Unido, Irlanda, França e República Checa. Até ao final de 2026, a Ra-Ro prevê duplicar o número de artesãos representados e reforçar a presença internacional, beneficiando de uma loja disponível em sete línguas.
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