Presidente italiano condena violência nos distúrbios e manifesta total solidariedade com polícias
O presidente italiano, Sergio Mattarella, classificou esta segunda-feira, 19 de outubro, como inaceitável a violência ocorrida durante distúrbios em Milão no fim de semana, e manifestou total solidariedade aos agentes das forças de segurança, muitos dos quais ficaram feridos.
“Trata-se de um serviço que envolve garantir a segurança dos nossos municípios e cidades, locais onde qualquer forma de violência é inaceitável. A minha total solidariedade vai para as forças de segurança”, destacou Mattarella durante a cerimónia de abertura da 39.ª Assembleia Nacional das Províncias de Itália (UPI).
Mattarella acrescentou que a violência partiu de novos tipos de atores e que é necessária uma análise aprofundada sobre os distúrbios.
“É necessária uma análise inteligente e aprofundada”, aliada a uma “vigilância atenta, capaz de combater a violência” proveniente de “novos tipos de atores”, destacou, citado pela agência de notícias ANSA.
Os procuradores da região da Lombardia referiram hoje que os distúrbios ocorridos em Milão no fim de semana revelaram atos destrutivos de uma violência rara, que foram essencialmente praticados por jovens adultos.
Os detidos no sábado por causa dos tumultos no centro de Milão, durante os quais lixeiras, pedras de pavimentação e outros objetos foram arremessados contra as forças de segurança, demonstraram “uma facilidade absoluta em improvisar atos destrutivos de violência rara”, além de uma “capacidade criminosa significativa” e uma total ausência de “autocontrolo”, segundo o Ministério Público.
Os distúrbios em Milão resultaram na detenção e identificação de cerca de 160 pessoas, quase todas jovens, muitas delas incluindo menores, que agiram com os rostos tapados.
A primeira-ministra, Giorgia Meloni, cujo governo de coligação entre a direita e a extrema-direita terá de enfrentar novas eleições em 2027, condenou no sábado os agitadores “que aproveitam as manifestações para semear o caos, agredir quem garante a segurança e tomar como reféns cidades inteiras”.
Meloni reuniu hoje, em Roma, vários ministros com atribuições na área da segurança, bem como dirigentes das forças de segurança e dos serviços de informações.
A reunião, segundo as mesmas fontes, serviu para analisar diferentes medidas propostas pelas forças policiais, visando reforçar a prevenção deste tipo de ocorrências.
Está prevista para terça-feira a realização de um Conselho de Ministros, segundo fontes ligadas ao processo citadas pela agência Efe.
O governo decidiu agir depois de alguns protestos realizados no domingo, motivados pelo aumento do custo de vida, terem degenerado em violentos distúrbios e pilhagens no centro de cidades como Turim, Bolonha e Milão (norte), esta última considerada a capital económica do país.
Para já, não se sabe exatamente quais as medidas que serão aprovadas, mas alguns órgãos de comunicação social locais avançam que se tratará de um decreto-lei, um instrumento utilizado em situações de urgência, que necessita de ser ratificado pelo Parlamento no prazo de 60 dias.
Mas Matteo Salvini, vice-primeiro-ministro, ministro dos Transportes e líder do partido de extrema-direita Liga anunciou hoje que cerca de 500 soldados adicionais vão ser mobilizados para defender Milão após os distúrbios.
Salvini revelou nas redes sociais que esta é uma das medidas que integrará o decreto de segurança a apresentar na terça-feira, classificando o feito como uma vitória da Liga.
A oposição de centro-esquerda criticou o governo de Meloni por considerar medidas de segurança em resposta a estes atos, sem, no entanto, abordar as causas económicas que geram indignação entre os italianos, como é o caso dos transportadores que mantêm uma greve no sul do país devido ao aumento dos preços dos combustíveis.
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