Ações dos bancos dos EUA registam maior série de quedas desde 2008 apesar de resultados sólidos
As ações dos bancos norte-americanos estão a atravessar a mais longa sequência de perdas desde a crise financeira de 2008, num contraste com os resultados trimestrais robustos apresentados pelas maiores instituições financeiras dos Estados Unidos, que continuam a beneficiar da resiliência de consumidores e empresas face às elevadas taxas de juro, segundo uma análise de David Hollerith na Yahoo Finance.
Os resultados divulgados na semana passada por JPMorgan Chase, Bank of America, Citigroup e Wells Fargo mostram que os clientes particulares e empresariais mantêm níveis de atividade sólidos, apesar do aumento dos custos de financiamento, segundo a análise.
Em conjunto, os quatro maiores bancos dos EUA constituíram 7,6 mil milhões de dólares em provisões para crédito no último trimestre, menos 3% do que há um ano. As perdas efetivas com empréstimos caíram 5%, enquanto o volume de crédito concedido cresceu cerca de 10%.
Apesar destes indicadores positivos, os investidores continuam cautelosos. O índice de referência KBW Nasdaq Bank Index acumulou uma perda de 11% desde o início de setembro e soma já seis semanas consecutivas em queda, na mais longa série negativa desde a crise financeira de 2008.
A desvalorização surge numa altura em que os gestores de carteiras de crédito revelam crescente preocupação com a evolução do risco de incumprimento. Um inquérito recente da International Association of Credit Portfolio Managers (IACPM) concluiu que cerca de 60% dos inquiridos antecipam um aumento das falências empresariais a nível mundial nos próximos 12 meses, enquanto 85% esperam um agravamento dos spreads das obrigações de alto risco na América do Norte durante os próximos três meses.
Estes números representam uma deterioração acentuada face ao trimestre anterior, quando apenas 40% dos gestores previam um aumento dos incumprimentos e 50% esperavam um alargamento dos spreads.
“Os gestores de carteiras de crédito observam algum apetite pelo risco entre os investidores, mas também veem várias empresas que conseguiram manter-se à tona até agora a aproximarem-se do limite”, afirmou, em comunicado, Som-lok Leung, diretor executivo da IACPM.
Ainda assim, os analistas do Morgan Stanley consideram que as condições de crédito da banca permanecem, em larga medida, “benignas”, embora tenham notado um tom mais cauteloso por parte dos executivos do setor durante as apresentações de resultados.
As preocupações do mercado centram-se sobretudo no impacto que a manutenção de taxas de juro elevadas poderá ter sobre a capacidade de pagamento dos mutuários. Segundo o analista do Bank of America Ebrahim Poonawala, uma eventual descida das taxas poderá favorecer uma recuperação das ações bancárias, sobretudo se for acompanhada por uma desaceleração da inflação ou por uma redução dos preços da energia.
Já o presidente executivo do Citizens Financial Group, Bruce Van Saun, considera que os receios em torno dos atuais custos de financiamento têm sido exagerados.
“Penso que essas preocupações são um pouco excessivas”, afirmou. Segundo o gestor, os níveis atuais das taxas de juro “não foram suficientes” para pressionar significativamente os clientes do banco nem para interromper a atividade de financiamento, embora admita que continua a existir incerteza quanto à evolução futura dos juros.
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