Ex-CEO dos CTT, fundador da Leedzai e Zoom Investment lançam grupo para investir na fusão de PME ibéricas
Manuel Queiroz Pereira, da Zoom Investment, João de Sousa Aroso, fundador da Leedzai, e João Bento, ex-presidente executivo dos CTT, lançaram a Caldrew Capital, um grupo de investimento que pretende comprar pequenas e médias empresas ibéricas e agregá-las por setor, anunciou esta terça-feira a sociedade em comunicado.
“Acaba de nascer em Lisboa um novo grupo de investimento focado em PME Ibéricas. Chama-se Caldrew Capital e tem um objectivo claro: comprar empresas sólidas e com gestão instalada e usá-las como base para construir grupos com escala através de aquisições sucessivas no mesmo setor”, refere o comunicado da Caldrew Capital.
A Caldrew não divulgou o montante de capital disponível, a origem dos fundos nem quaisquer investimentos já realizados.
O grupo quer adquirir empresas industriais e de serviços com gestão instalada, margens estáveis e um EBITDA entre 1 e 3 milhões de euros, tipicamente detidas por famílias ou pelo fundador. Segundo a Caldrew, são demasiado pequenas para atrair capital institucional e ficam fora do radar dos grandes fundos internacionais, ao mesmo tempo que a banca as trata como risco.
A estratégia passa por realizar aquisições sucessivas no mesmo setor, de modo a criar grupos com dimensão para negociar com clientes maiores, atrair quadros qualificados e chegar a compradores de outra escala.
Os fundadores das empresas adquiridas poderão manter uma participação no crescimento futuro do negócio.
“Quem compra estas empresas em Portugal costuma comprá-las para as arrumar. Nós compramos para as juntar”, afirmou João de Sousa Aroso, que será executive partner. “Se ficar connosco no capital, [o fundador] ganha com aquilo que ajudou a construir”, revela.
Já Manuel Queiroz Pereira, CEO da Zoom Investment, preside ao Conselho de Administração. Justificou a criação da Caldrew com a necessidade de uma equipa dentro das empresas “todas as semanas”, e não de um conselho de administração que se reúne de três em três meses. Bento participa como sócio não executivo.
A Caldrew sustenta a tese com dados do Relatório Anual sobre as PME Europeias 2025/2026, da Comissão Europeia. Segundo o grupo, cerca de 45% do valor acrescentado em Portugal é gerado por microempresas, contra perto de 35% na média da União Europeia, e 42% do emprego está nessas empresas, contra 31% na média dos 27.
Para a Caldrew, falta a Portugal a faixa intermédia de empresas, onde estão a produtividade e os salários mais altos. “Portugal precisa de mais empresas de média dimensão”, disse João Bento citado no comunicado.
“Portugal precisa de mais empresas de média dimensão. Há muitas PME com bons produtos e boas equipas que ficam paradas numa escala que não lhes permite investir mais nem competir lá fora. Aceitei juntar-me à Caldrew porque acredito que capital paciente, com boa gestão e boa governação por trás, é a forma mais direta de mudar isso”, diz João Bento, partner da Caldrew Capital
João Bento lidera atualmente a Lisnave e a Altri e é vice-presidente do Conselho Estratégico do Banco Português de Fomento, depois de ter estado à frente dos CTT entre 2019 e 2026.
João de Sousa Aroso vendeu a Leedzai no final de 2025 a um consórcio de fundos de investimento.
Em comunicado é citado o Relatório Anual sobre as PME Europeias 2025/2026, publicado pela Comissão Europeia em junho deste ano, que coloca a produtividade das pequenas e médias empresas no centro do desafio da competitividade europeia. Em Portugal, o problema tem contornos próprios: cerca de 45% do valor acrescentado nacional é gerado por microempresas, contra perto de 35% na média da União Europeia; e 42% do emprego está concentrado nessas empresas, contra 31% na média dos 27.
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