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Paris colocada sob recolher obrigatório parcial

Paris colocada sob recolher obrigatório parcial

As autoridades francesas decretaram um recolher noturno, que entrará em vigor das 23h às 6h em alguns lugares de Paris, como a Praça da República e as ruas ao redor do centro cultural Les Halles. A medida, segundo a imprensa francesa, será aplicada a três categorias de pessoas: menores desacompanhados, pessoas que usam equipamento de proteção individual e pessoas que se apresentem com o rosto tapado.
Foi decretado um primeiro recolher obrigatório com duração de dois dias a partir desta segunda-feira, a9 de outubro, na cidade de Lille, no norte do país, e nas cidades vizinhas de Douai , Wattignies e Denain, por imposição do gabinete do primeiro-ministro Sébastien Lecornu. Nos departamentos do norte, a ordem impõe o recolher a menores a partir das 20h. Em Coulaines, uma cidade de cerca de oito mil habitantes perto de Le Mans, o minícipe, Christophe Rouillon, anunciou também que implementaria um toque de recolher “à noite para menores que saírem sozinhos”, a partir das 23h.
Ainda em Paris, o autarca do centro da cidade, Ariel Weil (do Partido Socialista), cuja área foi duramente atingida por saques e destruição, disse que já havia solicitado o estabelecimento de um recolher obrigatório e, “por que não?”, a intervenção do exército para evitar a repetição da violência. “Houve uma destruição incrível; nem mesmo no auge do movimento dos ‘coletes amarelos’ vimos tanta destruição num único fim de semana”, disse.
No último fim-de-semana, ocorreram protestos em massa por toda a França, com a participação estimada em mais de meio milhão de pessoas. Os distúrbios incluíram tumultos, saques e confrontos violentos com a polícia em Paris, Marselha e Limoges. O ministro do Interior admitiu que a polícia “perdeu o controlo” em algumas cidades, enquanto o presidente Emmanuel Macron, que se dirigiu ao país no domingo, exigiu uma revisão completa das medidas de segurança e o apoio total às decisões tomadas pelos autarcas das regiões mais afetadas. Logo após o discurso Macron, que afirmou ser “insuportável ver as nossas ruas saqueadas”, grupos de homens pilharam lojas no centro de Paris.
Por outro lado, a Comissão de Direito do Senado anunciou o lançamento de uma investigação sobre a violência que marcou o fim-de-semana, na tentativa de esclarecer as “significativas disfunções na antecipação e preparação do aparato policial”. A comissão pretende “investigar” “a sequência dos acontecimentos” e “determinar as responsabilidades administrativas, institucionais, legais e políticas pelos eventos ocorridos durante esses dois dias “, explica um comunicado do Senado.
Diversos grupos parlamentares, principalmente de esquerda, pediram durante o fim-de-semana a criação de uma comissão de inquérito, visto que o governo enfrenta críticas generalizadas pela forma como lidou com as manifestações e a violência e os saques subsequentes.
A presidente da Assembleia Nacional, Yaël Braun-Pivet (do partido de Marine Le Pen), avançará esta terça-feira com a criação de uma comissão parlamentar de inquérito sobre a violência e os saques cometidos à margem das manifestações de 17 de outubro, que deverá também concentrar-se na estratégia de manutenção da ordem.
 
Lecornu denuncia a extrema-esquerda
O chefe de governo, Sébastien Lecornu, acusou o “movimento de extrema-esquerda” de querer semear “profunda desordem” e “questionar o calendário e a realização das eleições presidenciais”. A declaração mereceu uma rápida resposta de Jean-Luc Mélenchon: “como candidato, expresso o meu espanto. Se o primeiro-ministro não é um mentiroso ou alguém que quer incitar a desordem, deve provar a sua acusação. Caso contrário, deve pedir desculpa, calar-se e parar de incitar a desordem, como ele, o chefe da polícia de Paris e o ministro do Interior, que ao menos teve a classe de apresentar a sua demissão” (que foi recusada pelo Presidente da República).
 

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