Comité Central do MPLA mantém nula candidatura de Higino Carneiro a líder do partido
O Comité Central do MPLA, partido no poder em Angola, manteve esta quarta-feira, 21 de outubro, a decisão, depois de recurso, que declara nula a candidatura de Higino Carneiro à liderança desta organização política e decidiu instaurar-lhe um processo disciplinar.
O porta-voz do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), Esteves Hilário, leu o comunicado final da XI reunião ordinária do Comité Central, anunciando a decisão.
Segundo o secretário para a Informação do Bureau Político do MPLA, o Comité Central declarou nula a candidatura de Francisco Higino Lopes Carneiro Higino carneiro em conformidade com os estatutos e demais normativos vigentes no partido.
O órgão máximo do partido deliberou ainda instaurar um processo disciplinar contra o pré-candidato Higino Carneiro, “com fundamento na violação das normas de forma voluntária e consciente dos deveres éticos e morais impostos pelos estatutos e pelo código de ética partidária do MPLA”.
“Comunicar os factos à Procuradoria-Geral da República face à existência de fortes inícios da prática de crimes de falsificação de documentos pelo camarada Francisco Higino Lopes Carneiro”, referiu.
Na terça-feira, o Bureau Político do MPLA aprovou o parecer da Comissão de disciplina, Ética e Auditoria o partido sobre o recurso hierárquico apresentado pelo pré-candidato Higino Carneiro, tendo recomendado a sua submissão ao Comité Central.
Entretanto, a decisão hoje divulgada começou a ser partilhada nas redes sociais na noite de terça-feira.
Francisco Higino Lopes Carneiro membro do Comité Central e pré-candidato à liderança do MPLA submeteu uma reclamação na sequência do chumbo, a 21 de julho, da sua candidatura apresentada a 25 de junho passado, devido a “graves irregularidades”, nomeadamente assinaturas alegadamente falsificadas e a utilização indevida de documentos de identificação.
Na altura, o responsável da subcomissão de candidaturas do MPLA anunciou a anulação da candidatura de Higino Carneiro à presidência do partido, alegando foram detetadas assinaturas de “supostos militantes” não inscritos nos comités de ação do partido (CAP), cartões descontinuados com datas de emissão recentes, listas assinadas por uma única pessoa em nome de vários e bilhetes de identidade falsos.
Das 19.158 fichas de subscrição que o mandatário da candidatura declarou ter entregado, a subcomissão apurou que constavam apenas 14.493, das quais 2.561 válidas (17,6%), 9.659 não válidas (66,6%) e 2.273 falsas (15,6%).
O responsável da subcomissão, Job Capapinha, disse que os factos, “passíveis de responsabilização criminal”, seriam submetidos aos órgãos competentes do partido.
Na reclamação apresentada junto da Comissão Nacional Preparatória do congresso, Higino Carneiro argumentou que o prazo de validação das candidaturas ao IX congresso do partido, que se realiza entre 9 e 10 de dezembro deste ano, termina apenas a 25 de outubro.
Sobre a reunião hoje do Comité Central, da qual participou Higino Carneiro, membro deste órgão, fonte do MPLA disse à Lusa que o general teve duas intervenções em autodefesa, tendo alegadamente os membros se limitado a votar, uns por abstenção, a maioria a favor e um voto contra do próprio visado.
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