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Capital de Risco é a classe de ativos que mais retorno geraria nos próximos 15 anos, estima JP Morgan

Capital de Risco é a classe de ativos que mais retorno geraria nos próximos 15 anos, estima JP Morgan

O capital de risco (Private Equity) é a classe de ativos que pode gerar mais retorno, em termos anualizados, prevê o relatório 2027 Long-Term Capital Market Assumptions (LTCMAs), do JP Morgan Asset Management, para os próximos 10-15 anos.
Os investimentos alternativos possuem as duas classes de ativos que melhores retornos gerariam nos próximos 10-15 anos, de acordo com as projeções da gestora de ativos. Na liderança aparece o capital de risco com um retorno anualizado de 9,8%, uma “ligeira diminuição”, face à última projeção. “O potencial de rendibilidade continua associado à capacidade de criar valor de forma recorrente e de identificar eficiências operacionais, incluindo a implementação da inteligência artificial (IA) nas empresas que integram a carteira”, justifica.
E tem ainda o imobiliário que surge com uma rendibilidade de 8,1% para o imobiliário core nos Estados Unidos, o que representa uma “ligeira diminuição” num contexto de taxas de juro mais elevadas. “Na Europa, prevê-se uma rendibilidade de 7,1% para o imobiliário core, face aos 6,9% do ano anterior”, prevê.
Ainda nos investimentos alternativos surge as infraestruturas com uma rendibilidade de 7,1% para as infraestruturas core a nível mundial, face aos 6,5% do ano anterior. “A previsão reflete a reconfiguração das cadeias de abastecimento; espera-se que o regresso da atividade industrial ao país de origem (reshoring) impulsione a produção industrial e beneficie os ativos relacionados com o transporte”, explica.
As matérias-primas aparecem com um rendibilidade de 4,8%. “O acesso a minerais críticos continua limitado e os riscos geopolíticos influenciam as perspetivas. A previsão para o ouro mantém-se inalterada, com uma rendibilidade de 5,5%”, adianta. Os ativos florestais surgem com 6,2%, face aos 6,3% do ano anterior. E quanto aos fundos de cobertura (hedge funds) estima-se uma rendibilidade de 6,7% para os fundos de cobertura diversificados, “um aumento face aos 5,3% do ano passado, que reflete estimativas de alfa mais elevadas”.
No rendimento fixo a estimativa para os títulos do Tesouro dos Estados Unidos de prazo intermédio é de uma rendibilidade de 4,6%, “impulsionada por previsões de taxas de juro mais elevadas e pela recomposição dos prémios de prazo, o que favorece as rendibilidades” a longo prazo.
“Para a dívida empresarial dos Estados Unidos com notação de investimento, prevê-se uma rendibilidade de 6,1%. Este aumento deve-se principalmente a taxas de juro mais elevadas e a um maior volume de emissões por parte das empresas de hiperescala. Prevê-se uma rendibilidade de 6,7% para a dívida empresarial de alto rendimento dos Estados Unidos — face aos 6,1% anteriores —, com um spread de justo valor de 440 pontos base, graças à melhoria da qualidade dos ativos que compõem o índice”, explica.
Nas ações, em concreto ações de grande capitalização dos Estados Unidos, o documento do JP Morgan prevê uma rendibilidade de 7,5%, face aos 6,7% anteriores, “refletindo a adoção contínua da tecnologia e os ganhos de produtividade; contudo, as avaliações iniciais elevadas e o risco de concentração continuam a ser fatores importantes a ter em conta”.
Nas ações globais (excluindo os Estados Unidos) a previsão é de um retorno de 7,5% (em dólares), face aos 7,0% anteriores, “oferecendo maior diversificação e beneficiando de uma depreciação contínua, embora mais moderada, do dólar norte-americano”.
E nos mercados emergentes a previsão é de um retorno de 7,1% (em dólares), inferior à do ano anterior, “à medida que se normalizam os ventos favoráveis decorrentes da IA e das despesas de capital (capex)”.
E a rendibilidade anualizada para um portfolio constituído por ações e obrigações com uma proporção de 60/40, é de 7,0% nos próximos 10–15 anos. “No entanto, a maior correlação entre ações e obrigações torna necessária uma diversificação adicional”, refere o relatório da gestora de ativos.
O documento defende também que os desafios laborais e demográficos “podem limitar” o potencial de crescimento a longo prazo, e que o aumento do investimento e da adoção da inteligência artificial em todos os setores “impulsionará” os lucros a curto prazo e “aumentará” a produtividade a longo prazo.
A gestora de ativos considera existir potencial na diversificação regional em ações e da inclusão de ativos alternativos, em particular hedge funds e ativos reais. “Uma carteira 60/40+ com uma alocação de 30% a ativos alternativos diversificados poderá elevar o retorno até 7,5% e melhorar o rácio de Sharpe em 21%, face a uma carteira 60/40 convencional”, adianta.
O diretor global de Investigação Estratégica para Soluções Multi-Ativos da J.P. Morgan Asset Management, John Bilton, diz que as nossas hipóteses de longo prazo para os mercados de capitais “ajudam” os investidores a “orientarem-se” em mercados transformados pelo nacionalismo económico, pela aceleração tecnológica e pela redefinição dos fluxos de capital. “As perspetivas deste ano apontam para um crescimento mais sólido a longo prazo e novas oportunidades para construir carteiras mais robustas através da diversificação, combinando rendimentos mais elevados na renda fixa global com ativos alternativos e reais que proporcionem fontes de retorno diferenciadas e maior proteção contra a inflação”, acrescenta.
O estratega-chefe global da J.P. Morgan Asset Management, David Kelly, considera que a economia mundial “está a entrar” num ciclo de investimento muito dinâmico, no qual a adoção da inteligência artificial e os ganhos de produtividade “reforçam” as perspetivas de crescimento. “Ao mesmo tempo, os desafios demográficos, os elevados défices públicos e um contexto geopolítico mais complexo sugerem que a inflação continuará a ser mais volátil ao longo do nosso horizonte de previsão”, salienta.
“Todos os anos, as hipóteses do nosso relatório LTCMA servem de base para construir carteiras para os clientes, e isso nunca foi tão importante como agora. O retorno é importante, mas já não é o único fator a ter em conta. No contexto atual, é essencial encontrar o equilíbrio ideal entre risco e retorno. A elevada dispersão dos mercados cria oportunidades para os investidores que adotem uma abordagem disciplinada à alocação estratégica de ativos, para além do que os títulos das notícias possam sugerir”, disse o co-responsável global de Estratégia de Investimento do J.P. Morgan Private Bank, Grace Peters.
O relatório considera que três forças vão moldar o futuro e impulsionarão as rendibilidades. “O nacionalismo económico estimula o investimento interno, mas acarreta o risco de uma corrente contrária de volatilidade da inflação. A adoção da tecnologia apoia a economia mundial ao impulsionar o investimento e a produtividade. O aumento do investimento interno impulsiona a reorientação do capital, conduzindo, por sua vez, a alterações nos fluxos de capitais públicos e privados”, assinala.
É ainda dito que uma vaga de investimento mundial, centrada na inteligência artificial pode-se prolongar até 2040, impulsionando a produtividade total dos fatores em 50%, para 120 pontos base. “Tal eleva a previsão de crescimento do PIB real dos Estados Unidos para 2,1% e o crescimento nominal do mundo desenvolvido para 4,2%. A combinação entre PIB e inflação é a mais favorável desde a pandemia”, acrescenta.
O documento adianta também que margens de lucro superiores a 15% elevam em 80 pontos base, para 7,5%, a previsão para as ações de grande capitalização dos Estados Unidos, levando as previsões para as ações dos mercados desenvolvidos a superar as dos mercados emergentes pela primeira vez na história do relatório de perspetivas a longo prazo. “O aumento dos rendimentos reais faz subir as previsões para as obrigações globais agregadas de um mínimo de 2,1%, em 2021, para 5,3% atualmente, o nível mais alto em duas décadas”, acrescenta.
“A maior volatilidade da inflação, o risco persistente de desvalorização cambial e as crescentes oportunidades de captar alfa ativo reforçam o papel dos ativos alternativos como elemento essencial da carteira e motores de rendibilidade. É revista em alta, em 140 pontos base, a estimativa para os fundos de cobertura diversificados, com base nas tendências sustentadas do alfa e no aumento das taxas de juro, e mantém expectativas sólidas de rendibilidade para os ativos reais, dada a atual volatilidade da inflação”, conclui.

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