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Da Fed à bolha na IA: Schroders aponta cinco riscos-chave para economia global nos próximos meses

Da Fed à bolha na IA: Schroders aponta cinco riscos-chave para economia global nos próximos meses

O grupo de economistas da gestora britânica Schroders identificou cinco cenários de risco que podem desviar a economia mundial da sua trajectória base nos próximos trimestres, com implicações que vão desde recessão nos EUA a um choque petrolífero de 150 dólares.
Num relatório divulgado esta semana, a equipa aponta a credibilidade da Reserva Federal norte-americana como o principal foco de incerteza.
A Schroders começa por falar num cenário económico hipotético onde a Reserva Federal dos EUA (Fed) perde a credibilidade ao falhar no controlo da inflação, desencadeando uma reação em cadeia que culmina numa recessão.
Num cenário de perda de credibilidade do Fed, uma revisão do quadro de política monetária levaria os mercados a questionar o compromisso do banco central com a estabilidade de preços, diz a gestora. O FOMC entregaria menos subidas de juros do que o antecipado, permitindo que a inflação permanecesse elevada. Os investidores exigiriam maior compensação pelo risco de inflação de longo prazo, elevando os prémios de prazo e provocando uma inclinação da curva do Tesouro. Com crescimento mais lento e inflação persistente, os ativos norte-americanos seriam penalizados, enfraquecendo o dólar, e a economia dos EUA entraria em recessão no quarto trimestre.
O segundo risco é uma re-escalada no Médio Oriente. A Schroders estima que, neste caso, o preço do petróleo poderia disparar para 150 dólares por barril, impulsionando significativamente a inflação e aumentando o risco de pressões de preços persistentes. O choque agravaria os riscos em torno dos preços de alimentos e fertilizantes, empurrando a economia global para recessão, com os importadores líquidos de energia — como a zona euro, Reino Unido, Japão e partes da Ásia — a suportar o maior impacto. Os bancos centrais seriam forçados a subir taxas como resposta ao choque inflacionista mas, com a recessão a instalar-se no quarto trimestre, teriam de inverter a política, com cortes de juros apenas no segundo semestre de 2027.
O terceiro cenário prevê a introdução de controlo da curva de rendimentos (yields) pelo Tesouro dos EUA. Este seria um cenário hipotético em que a Reserva Federal dos EUA (Fed) ou o Tesouro Americano aplicam uma política monetária agressiva chamada Yield Curve Control (YCC) — Controlo da Curva de Rendimentos. Em termos simples, isto significa que o governo dos EUA decide fixar artificialmente a taxa de juro da dívida pública a longo prazo (neste caso, as obrigações a 30 anos) em 4%. Se o mercado tentar empurrar essa taxa para cima, o banco central compra todas as obrigações necessárias para manter o juro nos 4%.
A Schroders diz que uma atuação mais proactiva fixaria a yield do Tesouro a 30 anos em 4% no quarto trimestre. Embora condições financeiras mais expansionistas dessem um impulso modesto ao crescimento norte-americano, a saída de capital estrangeiro limitaria o crescimento dos défices comerciais, o que significa que a procura adicional alimentaria uma inflação muito mais elevada e uma forte depreciação do dólar.
A realocação de fluxos de capital para fora dos EUA implicaria moedas mais fortes e condições financeiras mais fáceis a sustentar uma aceleração não inflacionista do crescimento no resto do mundo, acrescenta.
Os dois últimos cenários centram-se na inteligência artificial. No cenário de “boom” da IA, a rápida adopção da tecnologia resultaria num período de crescimento económico robusto liderado pelo investimento, com ganhos de produtividade, mas a automação generalizada começaria a deslocar trabalhadores, elevando o desemprego e pesando sobre o consumo. O aumento do investimento em bens de capital elevaria a procura de energia, mas os ganhos de produtividade e o consumo mais fraco compensariam essas pressões.
No cenário inverso, de “bust”, uma bolha de IA no mercado acionista global rebentaria no quarto trimestre, à medida que se torna claro que o sector não consegue cumprir expectativas elevadas. O investimento entraria em reversão e o consumo enfraqueceria com uma recessão ligeira que elevaria o desemprego, enquanto a queda das bolsas afetaria a confiança.
O crescimento mais fraco aliviaria as pressões inflacionistas e permitiria aos bancos centrais baixar as taxas de juro, o que eventualmente geraria uma recuperação cíclica liderada pelo consumidor.

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