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Portugal é o 15º da Europa nas spin-off de investigação que apresentam pedidos de patente

Portugal é o 15º da Europa nas spin-off de investigação que apresentam pedidos de patente

Porugal ocupa a 15ª posição na Europa em número de spin-offs de investigação que apresentam pedidos de patente, de acordo com o Deep Tech Finder da Organização Europeia de Patentes (OEP). O INESC TEC, Universidade do Porto e Universidade de Coimbra lideram as instituições públicas de investigação portuguesas em pedidos de patente europeia em 2025. Análise tem dados de mais de 800 gabinetes de transferência de tecnologia.
“A Europa enfrenta desafios na transformação da investigação científica em tecnologias e soluções comerciais, com mais de 90% dos gabinetes de transferência de tecnologia analisados a apresentarem limitações de recursos e de capacidade de especialização. Em Portugal cerca de 80% das spin-offs de investigação portuguesas identificadas na ferramenta Deep Tech Finder encontram-se ainda numa fase inicial de crescimento, procurando desenvolver as suas tecnologias e obter financiamento para expandir a atividade”, referem os dados.
O presidente da OEP, António Campinos, salienta que a a transferência de tecnologia é uma questão de “competitividade”, acrescentando que as universidades e as organizações públicas de investigação europeias estão na “vanguarda” da descoberta científica, mas os avanços da investigação “têm de chegar” ao mercado para gerar emprego, crescimento económico e autonomia estratégica. “Para isso, é necessário reforçar a transferência de tecnologia, melhorar o acesso ao financiamento e construir um mercado único da inovação mais integrado. O estudo hoje apresentado identifica seis prioridades para ajudar a Europa a transformar a excelência da sua investigação em sucesso comercial”, sublinhou.
Em 2025, o INESC TEC liderou a posição nacional de organizações públicas de investigação e universidades em Portugal, com 14 pedidos de patente europeia, seguido da Universidade do Porto, com 13, e da Universidade de Coimbra, com 11. “A Universidade NOVA de Lisboa (10) e a Universidade de Aveiro (9) completam os cinco primeiros lugares”, indicam os dados. “Entre as principais áreas tecnológicas abrangidas pelos pedidos de patente destas instituições destacam-se as tecnologias informáticas, a engenharia, a biotecnologia e as tecnologias médicas”, acrescenta.
E Portugal ocupou a 15ª posição na Europa em número de spin-offs de investigação que apresentam pedidos de patente junto da OEP, estando identificadas 53 spin-offs portuguesas. “Destas, 42 (79,2%) encontram-se numa fase inicial de crescimento, procurando transformar as suas tecnologias em produtos prontos a entrar no mercado e assegurar financiamento para expandir as suas operações. Outras três empresas (5,7%) encontram-se numa fase de expansão acelerada (breakout stage), duas (3,8%) atingiram uma fase avançada de crescimento e seis (11,3%) foram adquiridas por empresas de maior dimensão”, refere.
Dos 809 gabinetes de transferência de tecnologia analisados, 90,5% são de pequena ou média dimensão, enquanto apenas 9,5% são de grande dimensão. “Embora os gabinetes mais pequenos consigam apoiar a evolução das invenções até à obtenção de patentes, à celebração de acordos de licenciamento ou à criação de novas empresas a um ritmo comparável ao dos gabinetes de maior dimensão, dispõem de menos recursos. Os gabinetes de grande dimensão têm seis vezes mais colaboradores e apoiam instituições com despesas em investigação 23 vezes superiores e com quase sete vezes mais investigadores. Recebem ainda informação sobre cerca de 16 vezes mais invenções do que os gabinetes de pequena ou média dimensão”, adianta.
O estudo considera que os gabinetes de transferência de tecnologia locais “podem reforçar” a sua capacidade através do acesso a redes mais alargadas de conhecimento especializado, financiamento e contactos comerciais. “Uma maior ligação entre instituições de investigação e empresas de diferentes países europeus poderá também ajudar as invenções mais promissoras a encontrar os parceiros adequados para chegar ao mercado”, sugeriu.
“As patentes com participação de universidades representam cerca de 9% das patentes europeias, um valor próximo do registado nos Estados Unidos. Atualmente, as universidades europeias são também titulares de uma percentagem muito superior das suas invenções face ao que se verificava há 20 anos. No entanto, 40,7% das patentes detidas pelas universidades europeias deixam de estar em vigor nos primeiros dez anos, face a 26,3% nos Estados Unidos”, referem os dados.
É ainda dito, face à aposta da China na comercialização de tecnologias desenvolvidas pelas universidades, prevista no seu 15.º Plano Quinquenal, que a Europa necessita de “reforçar” os mecanismos de apoio à transferência de tecnologia para facilitar a chegada dos resultados da investigação ao mercado.
“Os pedidos de patente europeia que envolvem universidades, organizações públicas de investigação ou hospitais de investigação mais do que duplicaram nas últimas duas décadas, passando de cerca de 3.200, em 2006, para quase 8.000, em 2025. A Alemanha, a França e o Reino Unido continuam a liderar, mas a sua quota conjunta diminuiu de quase 64% para cerca de 55%. Mais do que refletir um declínio dos países líderes, esta evolução demonstra um alargamento da base de investigação europeia, com um crescimento particularmente expressivo nos Países Baixos e em Espanha, bem como um aumento da atividade em muitos outros países”, adianta.
Em 2025, as instituições de investigação figuravam como requerentes “em cerca de 34% dos pedidos de patente europeia de origem europeia na área da biotecnologia, 29% nas tecnologias quânticas e 26% na indústria farmacêutica” . A sua capacidade para levar as invenções até ao mercado assume, por isso, uma “importância estratégica”. Entre as principais instituições públicas de investigação europeias destacam-se o CNRS (França), a Fraunhofer-Gesellschaft (Alemanha), o CEA (França), o Inserm (França) e o imec (Bélgica).

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