FFMS lança “Factualmente” e revela: 82% de aumento nos preços da habitação desde 2010
A Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS) apresentou esta semana o Factualmente, um novo formato de comunicação que pretende reunir factos essenciais sobre os grandes temas da atualidade, com o objetivo de contribuir para um debate público mais informado e contextualizado. A primeira edição é dedicada à habitação, tema que domina o debate público em Portugal.
Segundo os dados sistematizados pela Fundação, desde 2010 Portugal registou um aumento de 82% nos preços da habitação, o terceiro maior entre os 23 países que apresentaram subidas — e o maior aumento desde 2020. Os dados, que integram os Retratos da Europa da Pordata, evidenciam a dimensão da crise que atravessa o país.
A pressão sobre os portugueses é transversal. O Barómetro das Cidades, da FFMS, revela que 66% dos inquiridos apontam a habitação como a grande prioridade para a intervenção pública. Quase 80% rejeitam a ideia de que seja fácil encontrar habitação adequada a preço razoável — percentagem que sobe para 82% na Área Metropolitana de Lisboa e 88% na Área Metropolitana do Porto.
Os números do Barómetro da Habitação são igualmente significativos: 6 em cada 10 pessoas dizem sentir dificuldade em fazer face aos custos mensais com a habitação. A nível nacional, 51% afirmam que os custos com a habitação condicionam outras áreas da vida. Uma em cada quatro pessoas já viu importantes decisões de vida condicionadas devido às dificuldades no acesso à habitação. Em 2023, uma em cada nove pessoas temia perder a casa nos cinco anos seguintes e 34% afirmavam não ter para onde ir caso tivessem de sair da sua habitação.
O problema tem também uma dimensão estrutural. Em 2025, foram construídas cerca de 27 mil novas casas em Portugal — mais 11% do que no ano anterior, mas menos de um quarto do valor registado no início do século. A quebra mais acentuada ocorreu durante e após a crise iniciada em 2011, com uma redução anual de 35% em 2012. Entretanto, a proporção de casas de tipologia T0 ou T1 quase duplicou, reflectindo uma oferta cada vez menos ajustada às necessidades das famílias.
Para além dos dados, a primeira edição do Factualmente sugere conteúdos da própria Fundação que podem contribuir para um debate mais sustentado em evidência científica. Destacam-se os episódios do podcast [IN]Pertinente “A crise da habitação trava a produtividade?”, em que o economista João Duarte explica porque é que uma cidade cara expulsa talento e pode travar a economia, e “Habitação: o novo luxo português?”, em que a demógrafa Alda Azevedo analisa as causas e consequências da crise.
A lista inclui ainda o Policy Paper “A Crise da Habitação nas Grandes Cidades”, que propõe políticas públicas de curto, médio e longo prazo com base em experiências de outros países, o livro “O Papel da Casa nas Finanças Pessoais”, da colecção Como Gerir as Finanças – Literacia Financeira, o documentário “Portugal, uma casa para todos”, coprodução da FFMS com a RTP, e o estudo “O Mercado Imobiliário em Portugal”.
Com este novo formato, a Fundação Francisco Manuel dos Santos reforça o seu papel na produção e divulgação de conhecimento rigoroso, num momento em que a habitação se afirma como o desafio central da sociedade portuguesa
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