Gente de todas as idades ocupa Avenida da Liberdade, em Lisboa e pede greve geral
Milhares de pessoas de todas as idades ocuparam esta tarde a Avenida da Liberdade, em Lisboa, num protesto encabeçado por uma faixa com o apelo a uma greve geral pela habitação.
“Agora que estamos juntas/Agora que, sim, nos veem/Abaixo o Montenegro, que vai cair, vai cair/E viva o povo unido, a resisitir, a resisitir” é um dos hinos dos mais recentes protestos, conhecidos como Acampada, que têm juntado milhares de pessoas nas ruas de várias cidades do país.
Habituada a enchentes nas celebrações do 25 de Abril, a Avenida da Liberdade acolhe este sábado, 24 de outubro, uma variedade de coletivos, associações e movimentos, apoiados por dirigentes partidários e sindicais.
Aquilo que tem sido referido sobretudo como um protesto jovem atraiu pessoas de diferentes idades, muitas famílias com crianças e também gente mais velha que ainda guarda fresca a memória da ditadura.
“Não é egoísmo, é resistência”, respondia assim um cartaz às declarações do primeiro-ministro, Luís Montenegro, comentando os manifestantes que acampavam em Lisboa e no Porto, em defesa de melhores condições de vida e uma habitação digna.
“A habitação é um direito, casas são para viver” é a frase inscrita num cartaz que resume as reivindicações que têm levado às ruas milhares de pessoas.
Um jovem segura uma grande cartolina onde avisa o primeiro-ministro: “Montenegro, presta atenção, vais ouvir o povo até à tua demissão.”
Entre os manifestantes está gente de todas as idades, reportam os jornalistas da agência de notícias Lusa.
Helena Roseta, arquiteta e autora da Lei de Bases da Habitação, conversa com um grupo sobre as músicas que vão cantar.
“O povo saiu à rua”, rejubila a antiga deputada e ex-candidata à Câmara de Lisboa, recebendo agradecimentos pelas declarações de apoio que tem feito às Acampadas.
Estas manifestações por melhores condições de vida e habitação digna começaram no Porto, no dia 10, com dezenas de tendas montadas na Praça D. João I.
Na madrugada do dia 15 uma carga policial naquela praça causou perto de 40 feridos e obrigou ao desmantelamento da Acampada.
Já em Lisboa a Acampada instalou-se na Praça D. Pedro IV a seguir à manifestação organizada pela CGTP no dia 17 e aí permaneceu até à intervenção policial na madrugada da passada terça-feira, na qual a polícia desmontou tendas, deteve 55 pessoas e apreendeu bens dos ativistas.
Na sexta-feira, a Acampada de Lisboa decidiu, em assembleia popular, voltar a montar tendas hoje, depois da manifestação, que terminará no Rossio.
Porto também está na rua
No Porto, a “marcha pelo direito a um teto” arrancou às 16h00 deste sábado, 24, percorrendo as ruas do centro do Porto com a meta na Praça D. João I, onde desde o dia 10 o movimento Acampada tem realizado ações de protesto, assembleias populares e acampadas, com a mobilização de milhares de pessoas.
Perto das 16h00, a agência de notícias Lusa noticiava cerca de três centenas na Batalha e muitos cartazes com palavras de ordem, embora ainda haja manifestantes a escrever em bancas de trabalhos manuais instaladas no local.
Aos manifestantes, está a ser distribuído um “Guia do Manifestante” com instruções sobre o que fazer caso haja intervenção policial e de se ser detido.
Entre os conselhos há apelos a que não se entre em pânico e que o silêncio “é o melhor aliado” assim como a informação de que o limite previsto para se ser retido nas instalações policiais é de seis horas.
Para o final da manifestação, pelas 19h30, será realizada mais uma assembleia popular, na qual será decidido se as tendas voltam à Praça D. João I ou não.
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