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Sérvia: Aleksandar Vucic admite derrota nas eleições antecipadas

Sérvia: Aleksandar Vucic admite derrota nas eleições antecipadas

Aleksandar Vucic – ex-primeiro-ministro e ex-presidente da República – admitiu ter perdidos as eleições antecipadas que se realizaram na Sérvia este domingo, 25 de outubro. “Ainda não temos os resultados finais. Muitos ficarão surpreendidos, e vocês entenderão o quanto alguns mentiram. Quero informar que, com base na amostra estratificada, fica claro que perdemos estas eleições. A lista de bloqueio estudantil venceu, eles terão entre 135 e 140 mandatos, nós cerca de 105”, disse Vucic ao início da noite de domingo.
“Nós temos cerca de 1.720.000 votos, eles têm cerca de 2.200.000 votos”, acrescentou Vucic, que disse ainda que as restantes listas, com exceção das listas das minorias étnicas, não atingiram o limite mínimo. O Partido Progressista Sérvio (SNS), de Vucic, estava no poder desde 2012.
As sondagens indicavam uma proximidade que há dois anos era impossível entre o SNS e a chamada Lista Estudantil, que emanou diretamente dos prolongados protestos, liderados desde a primeira hora pelos universitários. A sondagem mais recente indica que o SNS se mantinha à frente, com 45% das intenções de voto, pouco mais que os 42,5% da Lista Estudantil – uma ‘amálgama’ ideologicamente plural que tem como desígnio principal fazer ascender ao poder a real vontade popular. Mas as sondagens falharam.
Reconhecendo à lista estudantil capacidade para se interporem no seu caminho político, Aleksandar Vucic renunciou ao cargo de presidente da Sérvia (para o qual foi eleito à primeira volta em 2017) para se apresentar como candidato a primeiro-ministro, função que ocupou a partir de 2014 até seguir para a presidência.
A União Europeia tem-se mostrado repetidamente preocupada com a ‘democraticidade’ do regime de Vucic e não tem a certeza de que estejam reunidas condições necessárias e suficientes para uma auscultação lícita da vontade popular. Observadores da missão da UE na Sérvia, delegações da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa (PACE) e do Gabinete para as Instituições Democráticas e os Direitos Humanos da OSCE, destacaram recentemente que as eleições vão ser realizadas num ambiente caracterizado por profunda polarização entre o governo populista e a oposição.
A União não o diz abertamente, mas tudo leva a crer que uma mudança do regime seria a melhor notícia para a Comissão Europeia e para o Conselho Europeu – liderado por António Costa, que, recorde-se, quando assumiu a presidência daquele órgão, afirmou que o alargamento era uma das suas prioridades. Ora, com Vucic já todos perceberam que os desentendimentos entre a Sérvia e o Kosovo – que declarou unilateralmente a independência em 2008 e também está às portas da União (formalmente desde dezembro de 2022) – são insanáveis. Objetivamente, essa insanabilidade implica que nenhum dos dois países chegue a entrar no bloco.
Pior ainda, Vucic tem dado mostras de não querer – ou de não conseguir – largar o lastro que o acorrenta aos interesses externos da Rússia. A Sérvia é um dos raros países candidatos à União Europeia que se recusa categoricamente a aderir às sanções económicas ocidentais contra o país que invadiu a Ucrânia – mesmo sob forte pressão de Bruxelas e de Washington. Vucic sustenta repetidamente que impor sanções a Moscovo violaria os interesses nacionais da Sérvia e a sua independência económica e tem negociado diretamente com Vladimir Putin e com o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, acordos de fornecimento estável e preferencial de gás natural através da estatal russa Gazprom. O Kremlin tem vindo a reforçar a narrativa de Vucic nas vésperas das eleições, validando as alegações do governo sérvio de que os protestos da oposição seriam tentativas ocidentais de desestabilização do país. Para a Rússia, o modelo dos protestos na Sérvia replica o cenário que levou à mudança de regime na Ucrânia em 2014.

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