Nossa Senhora. Se os outros podem, por que não pode Farioli?
Vivemos tempos perigosos, em que não podemos acreditar, sequer, naquilo que nos dizem os nossos olhos (e isto nem tem a ver com Inteligência Artificial). Uma imagem de Nossa Senhora de Fátima no chão aqui, um tubo no nariz ali, um disparo rasante acolá… Tudo pode ser verdade, tudo pode ser encenação e tudo nos faz duvidar daquilo que nos é apresentado.
Ainda esta semana, deparámo-nos com uma denúncia de “bomba” no Olival, num cenário dantesco de “sangue” e “morte” apresentado por Francesco Farioli, tudo porque há quem se atreva a questionar o que levou a que o FC Porto desse a terceira jornada da fase de liga da Liga dos Campeões por terminada com três derrotas em três jogos, com seis golos sofridos e apenas três marcados.
O FC Porto habituou-nos a fazer da Liga dos Campeões o seu habitat natural, algo que nem a ausência das duas últimas edições mudou. Sim, o Manchester City é um adversário temível, que venceria qualquer equipa portuguesa na esmagadoria maioria das oportunidades que tivesse, mas será assim tão descabido ter a expectativa de que o Real Betis e o PSV fossem adversários ao seu alcance?
Não o foram, e acontece. A Liga dos Campeões é uma competição implacável, que não perdoa o mínimo erro. O problema não está tanto nos resultados em si, mas sim na maneira como o FC Porto perdeu. E é acentuado pela satisfação com que Francesco Farioli assistiu, precisamente, à forma como a equipa jogou, especialmente, nos dois últimos jogos.
A abordagem foi má, mas tentar fazer crer que foi boa e ainda a justificar, por exemplo, com a inexperiência de jogadores como Jan Bednarek (que se estreou, é verdade… mas aos 30 anos de idade, após quase uma década de Premier League nas pernas) é, no mínimo, caricato. Fazer crer que duvidar desta visão é uma mera cabala contra o FC Porto só o torna ainda mais bizarro.
Falhar é normal, ainda para mais na Liga dos Campeões. Ruben Amorim, por exemplo, estreou-se nesta prova com 36 anos de idade (menos um do que Francesco Farioli) e viu o então ‘seu’ Sporting ser humilhado pelo Ajax, em pleno Estádio José Alvalade, por 1-5. Na altura, com outro tipo de discurso, ‘engoliu o sapo’, aprendeu e tudo aquilo que se sucedeu é história.
Francesco Farioli, no entanto, não está na mesma onda do agora treinador do AC Milan. O discurso que adotou desde a chegada a Portugal não muda um milímetro. Quem questiona o que faz é porque está à procura de uma maneira de atacar o FC Porto, e essa é uma postura preocupante para um treinador que, com a idade que tem, ainda muito irá aprender ao longo da carreira.
Ou Francesco Farioli acredita mesmo que aquilo foi maneira de uma equipa como o FC Porto se apresentar, contra Real Betis e PSV, ou tudo isto não passa de mais uma encenação. “Se os outros podem, por que não pode ele?”, perguntará. Porque o futebol não é política. O futebol é o que muitos de nós tomamos para desenjoar a política, e não para assistir a ‘remakes’ duvidosos.
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O espaço de opinião de Francisco Amaral Santos, subeditor de Desporto do Notícias ao Minuto. Em análise, o trabalho desenvolvido por Marco Silva, em tão pouco tempo, no comando técnico do Benfica.
Francisco Amaral Santos | 07:34 – 19/10/2026
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