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Insolvências estabilizam em Portugal nos primeiros nove meses de 2026

Insolvências estabilizam em Portugal nos primeiros nove meses de 2026

A nível global, 2,7 milhões de postos de trabalho estão diretamente em risco por ano em 2026 e 2027, mais 180 mil do que em 2025. A adoção da IA pode acelerar as insolvências empresariais em mercados de menor dimensão e menos diversificados, devido ao fosso competitivo que cria entre as empresas pioneiras na sua adoção e as que ficam para trás.
Os primeiros nove meses de 2026 confirmam uma estabilização das insolvências empresariais em Portugal, com 1.632 processos registados, embora persistam diferenças relevantes entre setores, regiões e dimensões empresariais.
As previsões da Allianz Trade indicam que Portugal deverá continuar a ser uma das poucas exceções face aos seus pares regionais, com um número de insolvências persistentemente baixo. Ainda assim, deverá terminar 2026 com um número de casos praticamente estável (2.250), apesar das disparidades persistentes entre setores: os primeiros oito meses do ano sugerem uma nova subida na construção, um aumento continuado nos serviços, uma descida prolongada no retalho e nos têxteis e uma inversão da tendência, em sentido descendente, nos transportes.
Uma vez que o crescimento económico português deverá revelar uma resiliência relativa, a previsão é que os vários desafios enfrentados pelas empresas, nomeadamente ao nível dos custos de financiamento e dos custos dos fatores de produção, conduzam a uma subida moderada das insolvências empresariais para 2.300 casos em 2027 (+2%).
A evolução mensal evidencia uma inversão da tendência do primeiro semestre. Após os aumentos expressivos de março (+22,2%), abril (+21,0%) e junho (+17,8%), registaram-se reduções consecutivas em julho (-4,0%), agosto (-27,6%) e setembro (-13,8%). Esta melhoria recente constitui um sinal positivo, embora ainda insuficiente para confirmar uma recuperação sustentada da situação financeira das empresas.
Na análise setorial, os Serviços (-4,2%) e a Construção (+11,5%) concentraram 45,2% das insolvências nacionais, destacando-se o agravamento na Construção, com 319 processos. Em contrapartida, o Retalho (-15,2%), o Agroalimentar (-10,6%) e os Têxteis (-8,4%) apresentaram evoluções favoráveis.
Regionalmente, Lisboa manteve a maior concentração de insolvências, com 476 processos (29,2% do total), enquanto o Porto registou 389 processos, traduzindo uma redução de 14,3%. Em sentido contrário, Aveiro apresentou um agravamento de 16,1%, evidenciando diferentes níveis de vulnerabilidade regional.
Quanto à dimensão empresarial, as microempresas continuaram a dominar, representando 67,5% dos processos (1.101 insolvências). Contudo, o aumento nas pequenas (+7,9%) e médias empresas (+10,7%) merece especial atenção, pelo potencial impacto nas cadeias de fornecimento e nas exposições de crédito.
Em síntese, a melhoria observada no terceiro trimestre é encorajadora, mas não elimina os fatores de vulnerabilidade do tecido empresarial. A evolução diferenciada entre setores e empresas reforça a importância de uma avaliação de risco criteriosa e prospetiva, capaz de distinguir dificuldades conjunturais de fragilidades estruturais, antecipar sinais de deterioração financeira e sustentar decisões de crédito equilibradas, protegendo os nossos segurados sem comprometer oportunidades de negócio.

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