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BCP dispara 12,6% os lucros até setembro para 873,7 milhões

BCP dispara 12,6% os lucros até setembro para 873,7 milhões

O maior banco privado nacional acaba de anunciar um resultado líquido consolidado de 873,7 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2026, uma subida de 12,6% face aos 775,9 milhões do período homólogo, impulsionado pelo desempenho da atividade em Portugal e pela redução das provisões associadas aos créditos hipotecários em francos suíços na Polónia.
O motor do BCP continua a ser Portugal, já que a atividade em Portugal contribuiu com 727,9 milhões de euros, mais 11,2% do que os 654,5 milhões de há um ano.
O banco liderado por Miguel Maya registou na operação internacional uma subida de 21,8% para 261 milhões. Neste capítulo, o destaque vai inteiramente para a Polónia, onde o Bank Millennium vê o lucro disparar 26,8% para 190,8 milhões, impulsionado sobretudo pela forte redução de 64,3% nos encargos com a carteira de crédito hipotecário em francos suíços.
No grupo a rendibilidade dos capitais próprios (ROE) do grupo fixou-se em 14,9%, contra 14,6% um ano antes, e a dos capitais próprios tangíveis (ROTE) em 15,5%, face a 15,2%.
O resultado antes de impostos subiu 20,8%, para 1.451,2 milhões de euros, mas os impostos sobre lucros aumentaram 39,5%, para 442,5 milhões.

As operações internacionais lucraram 281,0 milhões de euros antes de interesses que não controlam (+21,8%) e contribuíram com 145,8 milhões depois de minoritários, mais 20,0%. O Bank Millennium, na Polónia, registou 259,7 milhões de euros, uma subida de 29,6% sem efeito cambial (28,5% com efeito cambial), apesar do aumento da taxa de imposto sobre a banca polaca, de 19% para 30%. O Millennium BIM, em Moçambique, viu o resultado descer de 25,4 milhões para 16,8 milhões de euros, condicionado pela situação financeira do país. Em Angola, a participação no Banco Millennium Atlântico rendeu 4,5 milhões de euros.
O impacto da carteira de créditos hipotecários em moeda estrangeira na Polónia caiu 64,4%, para 135,5 milhões de euros, face a 380,2 milhões nos primeiros nove meses de 2025. A provisão para riscos legais constituída pela filial foi 218,4 milhões de euros inferior à do ano anterior, ficando em 136,6 milhões. O banco constituiu ainda 37,6 milhões de euros em provisões para eventuais custos da litigância de proteção dos consumidores.
Margem financeira sobe 5,8% e comissões 5%
A margem financeira do grupo aumentou 5,8%, para 2.293,0 milhões de euros. Em Portugal subiu 13,9%, para 1.133,3 milhões, beneficiada pelo crescimento do crédito, pela descida do custo dos depósitos e por maiores rendimentos da carteira de dívida pública, com a taxa de margem financeira a passar de 2,10% para 2,26%. Nas operações internacionais recuou 1,0%, para 1.159,7 milhões de euros, penalizada pelas descidas das taxas de juro na Polónia, onde o banco central cortou os juros de referência em 200 pontos base desde o início de 2025. A taxa de margem financeira internacional desceu de 4,37% para 3,83% e a do grupo de 2,92% para 2,85%.
As comissões líquidas cresceram 5,0%, para 660,4 milhões de euros, com a atividade em Portugal a subir 4,1% (484,5 milhões) e a internacional 7,7% (175,9 milhões). O banco destaca o aumento de 12,5% nas comissões de bancassurance e de 17,8% nas de gestão e distribuição de ativos.
O produto bancário aumentou 6,0%, para 2.993,1 milhões de euros, com Portugal a avançar 11,4%, para 1.672,4 milhões, e a atividade internacional praticamente estável (-0,2%), nos 1.320,6 milhões. Os resultados em operações financeiras subiram de 80,7 para 107,4 milhões de euros, em Portugal por ganhos com a venda de ativos legacy resultantes da recuperação de crédito não produtivo.
Os custos operacionais aumentaram 5,3%, para 1.087,0 milhões de euros, com Portugal a subir 5,8% (547,9 milhões) e a atividade internacional 4,8% (539,1 milhões). Os custos com pessoal subiram 3,8%, os outros gastos administrativos 6,7% e as amortizações 8,8%. Como os proveitos core cresceram mais do que os custos, o rácio cost-to-income do grupo melhorou de 36,6% para 36,3%. Excluindo itens específicos, desceu de 36,4% para 36,1%. Em Portugal, o rácio, sem esses itens, passou de 34,3% para 32,3%, enquanto nas operações internacionais subiu de 38,9% para 40,8%.
Custo do risco sobe para 34 pontos base
O custo do risco do grupo, líquido de recuperações, subiu de 31 para 34 pontos base, já que as imparidades de crédito aumentaram 18,8%, para 167,5 milhões de euros. Em Portugal o indicador desceu de 33 para 32 pontos base, enquanto nas operações internacionais subiu de 26 para 38 pontos base, em parte por a venda de crédito na Polónia ter tido maior impacto no ano passado. As outras imparidades e provisões recuaram 35,7%, para 285,7 milhões de euros, mas em Portugal passaram de 10,2 para 37,7 milhões, o que o banco justifica com uma “perspetiva conservadora” face ao contexto de incerteza.
O stock de crédito não produtivo (NPE) recuou 157 milhões de euros num ano, ou 9,8%, para 1.442 milhões, dos quais 711 milhões em Portugal (menos 92 milhões). O rácio de NPE desceu de 2,6% para 2,2% no grupo e de 1,9% para 1,5% em Portugal, enquanto o rácio de NPL a mais de 90 dias baixou de 1,3% para 1,1%. A cobertura dos NPE por imparidades subiu de 86,8% para 97,1%, e em Portugal de 95,5% para 109,9%.
Contribuições do setor bancário duplicam em Portugal
Os encargos com contribuições obrigatórias em Portugal passaram de 20,4 para 42,2 milhões de euros, num efeito de base: em 2025 o banco tinha reconhecido 18,6 milhões de euros de proveitos relativos ao Adicional de Solidariedade sobre o Setor Bancário pago entre 2020 e 2022, após o Tribunal Constitucional ter declarado o regime inconstitucional.
A contribuição sobre o setor bancário subiu de 28,6 para 31,3 milhões de euros e a contribuição para o Fundo de Resolução Nacional de 10,2 para 10,7 milhões, apesar de a taxa ter descido de 0,049% para 0,047%.
A contribuição para o fundo de garantia de depósitos manteve-se em 0,3 milhões. O Conselho Único de Resolução decidiu não cobrar contribuições ex-ante em 2026, segundo o BCP.
Na Polónia, as contribuições obrigatórias totalizaram 100,2 milhões de euros (101,9 milhões em 2025): o fundo de resolução custou 27,4 milhões, mais de 50% acima do ano anterior, o imposto especial sobre a banca subiu de 71,0 para 72,9 milhões, e deixou de haver contribuição para o fundo de garantia de depósitos, que tinha sido de 13,0 milhões. No total do grupo, as contribuições obrigatórias subiram de 123,0 para 143,1 milhões de euros.
Crédito cresce 7,8% e recursos de clientes 7,1%
No balanço o crédito a clientes bruto aumentou 7,8%, para 66.174 milhões de euros. Em Portugal subiu 7,8%, para 45.907 milhões, com o crédito performing a crescer 3.420 milhões, o crédito à habitação 10,1% (23.234 milhões), o crédito pessoal 11,0% (2.931 milhões) e o crédito a empresas 4,8% (19.743 milhões). Na atividade internacional o crédito subiu 7,9%, para 20.266 milhões, com o crédito a empresas a avançar 21,8%.
Os recursos totais de clientes cresceram 7,1%, para 116.256 milhões de euros, dos quais 94.650 milhões de recursos de balanço (+6,6%), e os depósitos e outros recursos de clientes subiram 6,1%, para 92.718 milhões. Os recursos fora de balanço aumentaram 9,6%, para 21.606 milhões. Em Portugal, os recursos totais subiram 5,8%, para 77.187 milhões, e nas operações internacionais 9,8%, para 39.069 milhões. O ativo total fixou-se em 114.170 milhões de euros (+4,8%).
Já no que toca ao rácio de capital CET1 fully implemented ascende a 15,2%, face a 15,9% um ano antes, e o phased-in de 15,3%, contra 16,1%, ambos acima do requisito SREP de 10,64%.
O rácio de capital total ficou em 20,0%, face a 19,9%, para um requisito de 15,09%. Os rácios incluem 10% dos resultados do período, a dedução de 407,5 milhões de euros do programa de recompra de ações em curso e o impacto de cerca de 30 pontos base da titularização sintética de uma carteira de crédito a empresas em Portugal, concluída em setembro. Sem qualquer distribuição, o CET1 seria de 16,9%.
O rácio de alavancagem situou-se em 6,1%. Até 23 de outubro, o banco tinha adquirido 297.557.006 ações próprias, por 329,4 milhões de euros, equivalentes a 2,01% do capital.
Na liquidez, o rácio de cobertura (LCR) subiu para 330%, de 321%, o rácio de financiamento estável líquido (NSFR) manteve-se em 180% e o rácio de transformação (crédito líquido sobre depósitos) aumentou de 68,7% para 69,9%.

 

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