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Coface revê risco global e diz que tensão no Golfo penaliza Qatar, Arábia e EAU

Coface revê risco global e diz que tensão no Golfo penaliza Qatar, Arábia e EAU

A Coface reviu em baixa as avaliações de risco do Qatar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, penalizados pela instabilidade geopolítica e pelas perturbações no Estreito de Ormuz, anunciou hoje a seguradora de crédito.
Na atualização trimestral das avaliações de risco por países e setores, a Coface registou quatro melhorias e três deteriorações no risco-país e oito melhorias e doze deteriorações no risco setorial, refletindo o impacto da instabilidade geopolítica, dos elevados custos energéticos, das disrupções logísticas e das condições financeiras mais restritivas.
O Qatar desceu de A3 para A4 devido à forte dependência dos hidrocarbonetos, que representam cerca de 80% das receitas fiscais, 90% das exportações e 35% do PIB, num contexto marcado por ataques à infraestrutura energética e quebra do turismo.
A Arábia Saudita foi revista de A3 para A4, refletindo a contração da atividade petrolífera, o abrandamento da economia não petrolífera e os riscos crescentes para as rotas de exportação marítimas e terrestres.
Os Emirados Árabes Unidos registaram igualmente um downgrade, de A2 para A3, devido à vulnerabilidade das exportações energéticas, às perturbações no comércio e transporte internacional e ao aumento dos custos de financiamento.
Em contraciclo, as Bahamas subiram de B para A4, beneficiando da consolidação orçamental, da descida da dívida pública e do dinamismo do turismo. El Salvador evoluiu de D para C, sustentado pela expansão do turismo e da construção, pela melhoria das condições de segurança e pelo progresso no programa acordado com o Fundo Monetário Internacional.
Montenegro passou de C para B, impulsionado pelo crescimento económico, pela redução do desemprego e pelo avanço do processo de adesão à União Europeia. A Zâmbia melhorou de D para C, apoiada na recuperação macroeconómica, na procura robusta de cobre e no reforço da confiança dos investidores.
No plano setorial, o agroalimentar concentrou o maior número de descidas, afetando a Argentina, Áustria, França, Polónia, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Na Europa, a deterioração está relacionada com as ondas de calor e os períodos de seca que afetaram severamente a produção agrícola durante o verão de 2026. No caso da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos, a forte dependência das importações alimentares aumenta a exposição a perturbações logísticas e a custos de transporte mais elevados.
A Coface agravou ainda as avaliações do setor automóvel na Argentina, da construção no Canadá, da indústria da madeira em França, do setor farmacêutico na Coreia do Sul e do setor dos transportes na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos.
Entre as melhorias setoriais destacam-se a construção na Coreia do Sul, os químicos em Israel, as tecnologias de informação e comunicação na Argentina, Chile e Países Baixos, os metais nos Estados Unidos, o retalho nos Estados Unidos e a energia no Chile.
Segundo a seguradora, o retalho norte-americano demonstrou uma capacidade de adaptação superior ao esperado, sustentada pela robustez do mercado de trabalho, pelos ganhos nos mercados financeiros e pelo aumento do rendimento disponível das famílias, resiliência que deverá prolongar-se ao longo de 2027.
A revisão de outubro confirma que a evolução do conflito no Médio Oriente continua a ser um dos principais fatores de risco para a economia mundial, afetando particularmente as economias dependentes do comércio internacional e os setores com maior exposição logística, enquanto as atividades ligadas à tecnologia, energia e mercados de consumo mais resilientes revelam maior capacidade de adaptação, conclui a Coface.

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