Maioria das empresas antecipa autonomia de agentes de IA até 2027 mas apenas minoria considera governação preparada
A grande maioria das empresas na Europa e no Médio Oriente reporta a chegada de incidentes relacionados com Inteligência Artificial (IA) aos órgãos de gestão de topo, mas apenas uma minoria responde com alterações concretas às suas políticas de governação, revela um estudo da IBM divulgado hoje.
De acordo com o inquérito realizado junto de mais de 3.200 executivos de oito países, 80% das organizações confirmam que, no último ano, um incidente ligado à IA — incluindo falhas em agentes autónomos, exposição de dados, erros em decisões automatizadas ou violações de segurança — chegou ao Conselho de Administração ou à Comissão Executiva. Contudo, apenas 40% alteraram as respetivas políticas de governação ou modelos de gestão de risco em resposta a essas ocorrências.
Perante o ritmo acelerado de implementação de soluções de IA, que frequentemente ultrapassa a capacidade de resposta dos quadros de conformidade, 56% das empresas optam por continuar a avançar dentro de limites de risco predefinidos enquanto a governação se adapta, ao passo que 33% preferem adiar a adoção tecnológica até que a estrutura esteja devidamente consolidada.
A investigação aponta que a pressão sobre as políticas de governação deverá intensificar-se com o avanço da IA agêntica, capaz de operar com maior autonomia. Embora 35% dos inquiridos já tenham sistemas deste tipo em produção e 75% prevejam que os agentes tomem decisões autónomas até 2027, apenas 37% consideram que os seus modelos atuais de governação estão preparados para escalar a tecnologia.
A vice-presidente sénior e presidente da IBM para a EMEA e APAC, Ana Paula Assis, sublinha no documento que a discussão em torno da IA transitou da adoção para a governação e a responsabilização. A responsável enfatiza que, na transição de assistentes para agentes autónomos, a governação deixa de ser um mero exercício de conformidade para se tornar um requisito essencial do negócio.
O estudo revela ainda uma assimetria na atribuição de responsabilidades e na avaliação do impacto financeiro. Embora 98% das organizações tenham atribuído formalmente a responsabilidade pelo risco de IA ao nível do Conselho de Administração, não existe consenso sobre a responsabilização em caso de danos decorrentes da atuação de agentes autónomos. A função de responsável pelas tecnologias de informação (CIO ou CTO) é a mais apontada, mas surge referida por apenas 17% dos executivos.
No âmbito da responsabilidade legal por danos significativos, 20% dos inquiridos defendem uma partilha proporcional entre a empresa utilizadora e o fornecedor, 19% apontam para a necessidade de um enquadramento regulamentar específico e 14% entendem que a responsabilidade deve recair totalmente sobre o fornecedor. Paralelamente, apenas 37% das empresas dispõem de uma avaliação quantitativa formal do impacto financeiro dos riscos associados às lacunas na governação de IA revista pelos órgãos sociais.
A análise evidencia também vulnerabilidades na cadeia de abastecimento, com 54% dos inquiridos a reconhecerem limitações no controlo sobre modelos de IA de parceiros e fornecedores estratégicos. Apenas 21% realizam monitorização contínua de riscos associados a terceiros.
As perspetivas de investimento variam consoante o enquadramento regulatório regional. Na União Europeia, 41% dos executivos estão a acelerar os investimentos em governação tendo em vista as obrigações para sistemas de alto risco previstas no AI Act da UE a partir de dezembro de 2027, enquanto no Reino Unido a dinâmica é impulsionada por reguladores setoriais e, no Médio Oriente, pelas estratégias nacionais de IA.
O estudo foi conduzido pela Censuswide para a IBM entre 14 e 24 de setembro de 2026, abrangendo 3.221 altos executivos de grandes empresas no Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Espanha, Países Baixos, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
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