Chega ouvido em Belém: Ventura apela a consensos no Orçamento e mantém-se disponível para negociar lei das rendas
O presidente do Chega apelou, esta quinta-feira, à procura de consensos concretos na habitação na discussão do Orçamento do Estado para 2027, criticando “birras” de outros partidos, e mantém-se disponível para negociar a nova lei de arrendamento com o Governo.
À saída de uma audiência com o Presidente da República, António José Seguro, no Palácio de Belém, em Lisboa, André Ventura reiterou a sua disponibilidade para negociar com o PSD e CDS-PP a nova lei do arrendamento urbano na especialidade, mediante o acordo estabelecido antes da votação na generalidade.
Numa altura em que estas alterações à lei são contestadas nas manifestações de Lisboa e Porto, André Ventura realçou que os problemas na área da habitação vão além do arrendamento e considerou importante alargar o debate ao Orçamento do Estado para 2027.
“É no Orçamento, e não em nenhuma lei do arrendamento, que há elementos que têm que ser discutidos”, salientou.
Ventura defendeu que, além de se falar teoricamente sobre consensos, os partidos têm que começar a manifestar em concreto em que matérias estão disponíveis para dialogar.
“Vamos ou não voltar a ter as deduções ao crédito de habitação que tínhamos até 2011? Isto não é uma questão da lei do arrendamento, é uma questão do Orçamento do Estado. O Chega está disposto a isso, os outros estão ou não estão? O Chega quer poder deduzir as rendas que passam o valor que o Governo considera moderado ou acessível na dedução fiscal do IRS. Isto não é uma questão para a lei do arrendamento, isto é uma questão para o Orçamento”, exemplificou.
André Ventura manifestou-se ainda favorável a reforçar as garantias públicas “para que os jovens possam ter casa”, considerando que estes são algumas das matérias nas quais se pode “começar a trabalhar para chegar a resultados”.
“Se houver metade do Parlamento que simplesmente diz «nós não queremos falar disto, não queremos discutir nada, estamos fora da discussão», fica uma discussão a dois entre o Chega e o PSD. O país não pode parar por haver birras de alguns ou por alguns partidos não se quererem meter numa discussão”, criticou.
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