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Lagarde deixa BCE: “Timing está longe de ser o ideal” e “pode ter motivação política”, alerta analista

Lagarde deixa BCE: “Timing está longe de ser o ideal” e “pode ter motivação política”, alerta analista

O timing da saída de Christine Lagarde da liderança do Banco Central Europeu (BCE) “está longe de ser o ideal”, afirma o responsável da estratégia de mercados da Ebury, Matthew Ryan.
A presidente do BCE, Christine Lagarde, vai deixar o cargo a 7 de fevereiro de 2027, anunciou esta quinta-feira a instituição, antecipando em vários meses o fim do mandato que estava previsto terminar apenas no final de outubro do próximo ano.
Num comunicado citado pela Reuters, o BCE revelou que “Christine Lagarde informou hoje o Conselho do BCE e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, de que deixará o seu cargo em 7 de fevereiro de 2027”.
“A saída de Lagarde ocorre numa altura em que a guerra no Irão mantém a inflação bem acima do pretendido, num nível que parece destinado a permanecer assim durante algum tempo. Os mercados obrigacionistas europeus estão também sob pressão, com o spread franco-alemão no nível mais elevado desde 2011”, defendeu.
Matthew Ryan considera que o momento escolhido parece, pelo menos em parte, “ter motivação política”. Para este analista, Lagarde sair agora significa que o seu sucessor “poderá ser escolhido antes das eleições presidenciais de França, na primavera – que, segundo as sondagens, a direita poderá vencer –, mantendo Macron e Merz no comando da nomeação”.
Klaas Knot e Pablo Hernández de Cos são avançados como podendo ser os principais candidatos a ocupar o lugar de Christine Lagarde, assinalou. “Knot, um ‘falcão’, reforçaria provavelmente as expectativas de um maior aperto monetário, o que poderia ser positivo para o euro. Hernández de Cos, o mais ‘pomba’ dos dois, daria provavelmente maior ênfase ao crescimento e à estabilidade do mercado obrigacionista, o que é mais importante do que nunca, dada a pressão sobre a dívida francesa”, referiu.
Este “não acredita” que a transição na liderança do BCE “altere” a trajetória das taxas [de juro] a curto prazo. “O presidente define a agenda, mas, em última análise, é apenas uma voz no Conselho do BCE e raramente se sobrepõe ao consenso. Ainda assim, uma sucessão prolongada poderia introduzir volatilidade nos mercados num momento já frágil, pelo que quanto mais cedo for nomeado um sucessor, melhor”, concluiu.

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