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Desemprego registado cai 10,1% em setembro, com indústria e construção a liderarem descida

Desemprego registado cai 10,1% em setembro, com indústria e construção a liderarem descida

O mercado de trabalho português está a dar sinais de mudança: há menos desempregados inscritos nos centros de emprego, sobretudo nos setores tradicionais da economia, mas nem todas as atividades acompanham esta tendência. Enquanto a indústria do vestuário, o calçado e a construção registam quebras expressivas no desemprego, as tecnologias de informação e a consultoria continuam a somar inscritos. Em setembro, o desemprego registado caiu 10,1% em termos homólogos, para 271.984 pessoas.
São menos 30.616 inscritos do que em setembro de 2025, numa descida impulsionada sobretudo pela indústria transformadora e pela construção, segundo a análise da Randstad Research, baseada em dados do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), do Instituto Nacional de Estatística (INE) e da Segurança Social.
A redução foi particularmente expressiva em algumas atividades industriais. A indústria do vestuário liderou as descidas, com menos 27,1% de desempregados inscritos, seguida do couro e calçado (-20,2%) e dos têxteis (-19,7%). Na construção, a redução homóloga atingiu 12,9%.
Nos serviços, que representam 69,5% do desemprego registado, também se verificaram descidas, embora menos acentuadas. O alojamento e a restauração registaram uma quebra de 9,9%, enquanto o comércio recuou 6,8%.
A evolução foi diferente nas atividades mais especializadas. As tecnologias de informação e telecomunicações registaram um aumento homólogo de 5,4% no número de desempregados inscritos, enquanto as atividades de consultoria, científicas e técnicas cresceram 7%.
Norte concentra mais desempregados, mas lidera redução
A região Norte continua a concentrar o maior número de desempregados registados, com 103.557 pessoas, correspondentes a 38,1% do total nacional. Ainda assim, foi também a região onde o desemprego mais caiu em termos homólogos, com menos 20.763 inscritos, uma redução de 16,7%.
Na comparação mensal, com agosto, o desemprego diminuiu em Lisboa (-1,6%), no Norte (-1%) e no Centro (-0,7%). Em sentido contrário, aumentou no Algarve (+5,3%) e no Alentejo (+3,1%).
Em setembro, o IEFP contabilizou 401.092 pedidos de emprego e 17.681 ofertas de emprego por preencher, menos 8,1% do que no mês anterior. Ao longo do período, foram realizadas 9.995 colocações.
Emprego mantém-se acima dos 5,3 milhões
Os dados do INE mostram, por sua vez, que a taxa de desemprego permaneceu estável nos 5,6% em setembro. A população empregada totalizava 5.325.800 pessoas, mais 32.100 do que há um ano, o que representa um crescimento homólogo de 0,6%.
Face a agosto, porém, o emprego recuou em 4.900 pessoas. A população ativa diminuiu em 10.000 pessoas, para 5.638.700, enquanto o número de desempregados caiu em 5.000, fixando-se nos 313.000. Esta redução foi mais expressiva entre as mulheres, com menos 3.300 desempregadas, e os jovens dos 16 aos 24 anos, com menos 2.900.
Na remuneração, os dados da Segurança Social apontam para um valor médio declarado de 1.649,16 euros por trabalho dependente. Trata-se de uma descida mensal de 8,8%, mas de um aumento de 3,8% face a setembro do ano passado.
Lisboa registou a remuneração média mais elevada, com 1.833,70 euros, seguida do Porto, com 1.703,10 euros. Beja (1.352,85 euros) e Portalegre (1.373,01 euros) apresentaram os valores mais baixos.
Isabel Roseiro, diretora de Marketing da Randstad Portugal, considera que “Estes resultados demonstram que, enquanto a indústria tradicional, a construção e os serviços operacionais registaram um ajustamento significativo da procura de emprego, os ramos técnicos e tecnológicos continuam a apresentar uma dinâmica de rotação de perfis especializados. Para as entidades empregadoras e gestores de talento, este cenário evidencia uma oportunidade para atrair quadros qualificados disponíveis nos segmentos de consultoria e TI, reforçando simultaneamente a necessidade de políticas ativas de retenção e requalificação profissional nos setores operacionais, onde a oferta de candidatos continua a diminuir a ritmo acelerado”.

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