PRR: Verbas para recuperar património municipal em Évora executadas na totalidade
As verbas do PRR para recuperação de património da Câmara de Évora, no âmbito da Capital Europeia da Cultura, foram todas executadas, ainda que duas empreitadas lançadas tenham fracassado, e o município não desiste do pavilhão multiúsos.
Num encontro com jornalistas a propósito do primeiro ano de mandato da gestão PS, o presidente do município, Carlos Zorrinho, indicou, esta sexta-feira, 30 de outubro, que foi executado “todo o volume financeiro previsto” no Plano de Recuperação e Resiliência (PPR).
“Não foi possível executar duas empreitadas porque ficaram desertas”, ou seja, os respetivos procedimentos não receberam qualquer proposta, concretamente as obras de recuperação do Arquivo Fotográfico e do Convento dos Remédios, adiantou.
Apesar das empreitadas cujos concursos ficaram desertos, realçou o autarca socialista, a verba “foi reencaminhada” para outros projetos e uma parte “permitiu uma recuperação muito mais forte do sistema acústico da Arena”.
“Os outros projetos foram todos concluídos”, salientou, aludindo às obras de reabilitação dos antigos celeiros da EPAC – Empresa Pública de Abastecimento de Cereais, que acolhe agentes culturais, Rossio de São Brás e Arena d’Évora.
Carlos Zorrinho frisou que algumas destas empreitadas “ficaram abaixo do limite máximo” do valor de financiamento, tendo o excedente sido utilizado para “ajudar o projeto de recuperação da Igreja da Graça”.
Questionado sobre os projetos previstos no Livro de Candidatura [‘bid book’] da Capital Europeia da Cultura (CEC) Évora_27 que ainda não avançaram, o presidente do município enumerou o pavilhão multiúsos, a Casa dos Bonecos e a Casa das Sementes e disse não desistir da sua concretização.
No caso do pavilhão multiúsos, o autarca revelou que a gestão PS quer um projeto “mais ambicioso, que tenha 8 a 10 mil lugares e uma dimensão diferente para poder ser interessante do ponto de vista da sua concessão a um operador”.
“Não vai ser fácil nos próximos anos encontrar os 25 milhões ou 30 milhões que custa fazer o multiúsos nos programas públicos, mas a maior parte dos multiúsos que existem na Europa e muitos em Portugal são parcerias”, assinalou.
Sobre a Casa dos Bonecos, que estava previsto que acolhesse os Bonecos de Santo Aleixo, títeres tradicionais do Alentejo, Zorrinho realçou que a câmara vai “procurar financiamento” para o projeto, reiterando que não desiste de o concretizar.
“E em relação à Casa das Sementes, conseguimos finalmente uma coisa que há tantos anos se procurava”, que era a sua posse passar para o município, destacou, indicando que o espaço “já não será a escola de dança”.
O autarca lembrou que o ‘bid book’ previa a instalação do Centro Nacional para a Dança Contemporânea no edifício do antigo Núcleo de Seleção e Armazenagem de Sementes de Évora, conhecido como Casa das Sementes.
“Não faz sentido”, afirmou, vincando que a Câmara de Évora tem outras intenções para aquele espaço e “será um projeto cultural forte”.
Questionado a respeito do desacordo sobre o financiamento municipal para Évora_27, já que a anterior gestão CDU queria que uma parte fosse em espécie e a associação gestora discordava, o autarca disse estar a trabalhar com o Governo sobre uma solução.
“Uma parte já foi encontrada e outra parte penso que vai ser encontrada nos próximos tempos”, referiu, recusando “abrir uma guerra” sobre o tema, “porque no contrato diz que é em dinheiro”.
A Câmara de Évora, acrescentou, já comparticipou em espécie a iniciativa, calculando-se esse valor “à volta de quatro milhões” de euros, e prevê-se que contribua com mais “cinco ou seis milhões”.
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