Tensão no MotoGP pode ter repercussões na F1?
A F1 e a FIA mantêm a intenção de realizar os Grandes Prémios do Qatar e de Abu Dhabi nas datas previstas, apesar da tensão no Médio Oriente. A posição contrasta com as alterações já feitas nos programas de outras competições, como o WEC, o WRC e o Dakar. No MotoGP, a deslocação ao Qatar continua a gerar preocupação entre os pilotos.
Pilotos de MotoGP resignados a competir no Qatar
Segundo o Motorsport.com, apenas três pilotos voltaram a manifestar oposição à viagem na reunião realizada na Malásia, depois de cerca de três quartos da grelha se terem pronunciado contra a deslocação durante o fim de semana de Phillip Island.
A redução das manifestações de oposição não significa necessariamente que as preocupações tenham desaparecido. O cenário descrito é, sobretudo, de crescente resignação perante a perspetiva de competir no Qatar. De acordo com a publicação, as equipas, a MGPSEG, detentora dos direitos comerciais do campeonato, e a Federação Internacional de Motociclismo (FIM) transmitiram uma posição clara: nas atuais circunstâncias, a prova deve realizar-se.
A maioria dos países representados no paddock recomenda aos seus cidadãos que adiem viagens ao Qatar. Essas recomendações, porém, não constituem uma proibição formal de viajar.
O ambiente entre os pilotos e os responsáveis da competição é descrito como tenso. Segundo as fontes ouvidas pelo Motorsport.com, o Governo do Qatar apresentou compromissos de resposta a uma eventual emergência, embora os pilotos continuem a procurar garantias mais específicas. Entre as medidas referidas estão um plano de evacuação de todo o paddock, cobertura financeira para os custos decorrentes de um eventual encerramento do espaço aéreo e um seguro de repatriamento.
Ainda segundo a publicação, os pilotos terão sido alertados para possíveis consequências caso decidam não viajar sem uma justificação considerada legítima e inequívoca. A FIM poderia interpretar a ausência como uma infração grave aos regulamentos, com eventuais sanções desportivas cujos efeitos se prolongassem pela próxima temporada.
F1 aproxima-se das rondas do Médio Oriente
A F1 tem ainda mais três provas antes das rondas agendadas para o Médio Oriente: a Cidade do México, este fim de semana, Interlagos, no próximo, e Las Vegas, em meados de novembro. Esta última marca o arranque da derradeira jornada tripla, com Las Vegas, Qatar e Abu Dhabi em fins de semana consecutivos.
No entanto, Kimi Antonelli tem fortes probabilidades de se sagrar campeão este fim de semana, e precisa de apenas dois pontos. Com a conquista do título pelo jovem italiano, faltaria apenas atribuir o título de construtores. A Mercedes tem 133 pontos de vantagem sobre a Ferrari, e o cenário de conquista do título até Las Vegas não é descabido. Assim, a F1 poderia ter de se deslocar a uma zona de grande tensão, com os títulos entregues.
A F1 e a FIA mantêm-se irredutíveis na intenção de ir ao Médio Oriente, e o caso do MotoGP pode dar um vislumbre do que poderemos ter, caso a intenção inicial se mantenha nas próximas semanas.
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