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Acampada de Lisboa contabiliza pelo menos 10 detidos e seis feridos

Acampada de Lisboa contabiliza pelo menos 10 detidos e seis feridos

O porta-voz da Acampada de Lisboa pelo direito à habitação contabilizou este domingo, 1, pelo menos, 10 manifestantes detidos e seis feridos na sequência da intervenção policial no Rossio.
“Não conseguimos precisar quantas pessoas foram detidas. Pelo que sabemos, foram pelo menos 10 detidos”, disse João Veloso já depois das 05h00, depois de os manifestantes abandonarem a zona do Martim Moniz, para onde foram “empurrados” pelo Corpo de Intervenção da PSP.
Vários órgãos de comunicação social testemunharam detenções e relataram a desproporcionalidade da carga policial, com petardos e bastonadas.
Segundo o porta-voz da Acampada de Lisboa, os promotores contabilizaram ainda, pelo menos, seis feridos, três dos quais foram hospitalizados no Hospital de São José.
O Corpo de Intervenção da PSP avançou em simultâneo pelas 04:30 sobre os manifestantes concentrados nas acampadas em Lisboa e no Porto para que desmobilizem, retirando tendas, lançando petardos, e detido desde logo várias pessoas que contestavam as políticas sobre habitação.
Os manifestantes começaram por formar um cordão humano para atrasar a intervenção da PSP, que foi quase de imedidato desfeito pelo Corpo de Intervenção.
Escassos minutos após o início da carga da polícia sobre os manifestantes reunidos na Acampada na Praça do Pedro V, a praça estava vazia, com os manifestantes escorraçados à bastonada pelos vários acessos ao Rossio.
Recebidas num primeiro momento com petardos e tochas, as autoridades forçaram centenas de pessoas em direção à Praça da Figueira e, em menos de cinco minutos, sobravam no Rossio apenas as tendas deixadas para trás, que rapidamente foram recolhidas pela Polícia Municipal.
Do lado da ‘acampada’, muitos manifestantes foram alvo de bastonadas. Entre os primeiros detidos no Rossio, a Lusa testemunhou um homem com o rosto ensanguentado a ser levado pela PSP.
Já na Praça da Figueira, à medida que recuavam em direção ao Martim Moniz, os manifestantes formavam barreiras com baias de segurança e mesas do Mercado da Baixa, instalado naquele local, para tentar atrasar o progresso do Corpo de Intervenção.
A última paragem das forças de segurança foi na Rua da Madalena, que liga a Baixa ao Martim Moniz, para onde os manifestantes seguiram, dispersando depois para a zona da Mouraria.
Os agentes da PSP desmobilizaram pelas 05h00, numa altura em que já não se avistavam manifestantes.
Antes do início da carga policial em Lisboa, à frente do cordão humano formado pelos manifestantes, marcaram presença vários deputados, entre os quais Fabian Figueiredo, do BE, e Isabel Mendes Dias, do Livre, que também eles foram retirados por elementos da polícia, depois de, horas antes, terem dialogado com as autoridades policiais para pedir que não interviessem no protesto, que consideraram pacífico.
A acampada no Rossio e a atuação da polícia de madrugada foram acompanhados por elementos do Mecanismo Nacional de Prevenção da Provedoria de Justiça, que durante o dia também observaram a manifestação.

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