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Banco CTT regista lucros de 13,8 milhões até setembro e acelera crescimento de crédito e depósitos

Banco CTT regista lucros de 13,8 milhões até setembro e acelera crescimento de crédito e depósitos

O Banco CTT encerrou os primeiros nove meses de 2026 com um lucro líquido consolidado de 13,8 milhões de euros, um valor 9% abaixo dos 15,1 milhões registados no período homólogo. A rentabilidade medida pelo ROE fixou-se em 5,6%.
A descida resulta sobretudo do aumento de 30% nos impostos sobre o rendimento, tendo o resultado antes de impostos ficado praticamente estável nos 18,3 milhões de euros.
Excluindo itens específicos, o lucro ascendeu a 14,3 milhões de euros, com um retorno normalizado sobre capital tangível (RoTE) de 10,7%.
A  margem financeira subiu +11% para 84,7 milhões de euros; as comissões subiram +12% para 23,237  milhões. O produto bancário subiu +9% para 105 milhões.
O rendimento líquido de juros subiu 11% impulsionado pelo crescimento da carteira de crédito e pela gestão disciplinada do balanço, com a margem financeira a aumentar para 2,2% (face a 2,1% em setembro de 2025).
A subida da receita de comissões para 23,2 milhões reflete a maior atividade dos clientes e a procura por produtos transacionais e de poupança.
Os custos aumentaram 11% para 73,703 milhões. O rácio de eficiência ascende a 69,5%.
No lado dos custos, as despesas operacionais aumentaram 11% para 73 milhões de euros, sobretudo por causa dos custos com pessoal (+16%), num contexto de expansão da equipa para 755 colaboradores (+19% num ano), com reforço particular da rede comercial.
Qualidade do crédito melhora com venda de malparado
As provisões e imparidades aumentam +16% e totalizaram 13,8 milhões de euros, mais 1,9 milhões do que no período homólogo.
O custo do risco anualizado que mede o impacto financeiro que o incumprimento dos clientes tem nas contas do banco, manteve-se nos 0,8%.
O rácio de crédito malparado (NPL) melhorou para 4,8%, contra 5,4% em dezembro de 2025, beneficiando da venda de uma carteira de NPL no terceiro trimestre, que contribuiu com uma descida de 0,5 pontos percentuais.
A cobertura do malparado por imparidades é de 60%.
Atividade cresce
O banco liderado por Francisco Barbeira diz que manteve um forte impulso comercial ao longo do trimestre. Os volumes de negócio atingiram 8.572 milhões de euros em setembro, um crescimento acelerado de 13% face ao mesmo período do ano anterior, contra +12% em dezembro de 2025.
Os recursos de clientes subiram para 6.104 milhões de euros, uma subida de 12% em termos homólogos, com os depósitos a atingirem 4.700 milhões (+12% face a setembro de 2025), num período em que o sector cresceu de forma mais moderada. Os fundos fora de balanço (bancassurance) somaram 1.404 milhões de euros, mais 13% num ano.
O crédito líquido a clientes cresceu 257 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, atingindo 2.252 milhões — um aumento de 13% desde dezembro. O dinamismo foi suportado por níveis recorde de produção: os novos créditos à habitação dispararam 37% e o crédito automóvel subiu 16% face ao período homólogo, o que se traduziu em ganhos de quota de mercado nos dois segmentos.
O Banco CTT demonstra tração comercial positiva e um balanço em expansão contínua, com o crescimento do crédito a superar largamente a concorrência.
Mas o travão à rentabilidade veio do aumento dos impostos e de uma base de custos mais pesada, consequência de uma estratégia agressiva de captação comercial — uma aposta que, à luz da evolução dos volumes de negócio, parece estar a compensar.
Solvência e liquidez confortáveis
O banco manteve níveis de solvência e liquidez bem acima dos requisitos regulamentares. O rácio de fundos próprios de nível 1 (CET1) situou-se em 19,7% (incluindo o lucro do período), 1,4 pontos abaixo de dezembro de 2025, mas muito acima do requisito regulamentar de 9,88%. O rácio de alavancagem ficou em 5,1% (mínimo legal: 3,0%).
Os rácios de liquidez permanecem particularmente confortáveis: o LCR atingiu 1.020% e o NSFR 239%. No plano do MREL, o rácio de 27,4% supera confortavelmente o requisito de 24,66%, após a colocação bem-sucedida de 60 milhões de euros em dívida senior preferred no segundo trimestre. Em julho, o banco aproveitou ainda a opção de resgate antecipado de 10 milhões de euros em obrigações senior preferred detidas pelo acionista CTT – Correios de Portugal.
Ao início da noite, a empresa liderada por Guy Pacheco anunciou o início do processo de venda de uma participação maioritária no Banco CTT, com o objetivo de reforçar a flexibilidade financeira e consolidar a aposta estratégica no comércio eletrónico, mantendo-se, preferencialmente, como parceiro de longo prazo do banco. “Neste contexto, reafirmando o seu compromisso com o crescimento sustentado do banco, o Conselho de Administração do CTT decidiu iniciar um processo de venda de uma posição de controlo no capital do banco, sujeito às obrigações contratuais existentes entre os atuais acionistas”, lê-se num comunicado enviado hoje à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).
Os CTT adiantam ainda que privilegiarão soluções que assegurem a sua continuidade como parceiro de longo prazo do banco CTT, quer ao nível da participação acionista, quer ao nível da utilização da rede no desenvolvimento do seu plano de negócios.
As negociações para a venda do Banco CTT ao grupo espanhol Cajamar (Grupo Cooperativo Cajamar) falharam a 4 de setembro de 2026, após as duas entidades não terem conseguido chegar a um acordo

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