Combustíveis pressionam margens de um terço das empresas europeias
Cerca de 36% das 148 empresas europeias de média dimensão analisadas pela Morningstar DBRS apresentam uma exposição significativa à subida dos preços dos combustíveis, com maior incidência nos setores do transporte e distribuição.
Segundo um relatório hoje divulgado pela agência de notação financeira o aumento dos custos dos combustíveis representa um risco seletivo, e não sistémico, estimando que cerca de dois terços das empresas analisadas estão relativamente bem posicionadas para absorver o impacto.
As empresas mais expostas são aquelas em que os combustíveis, a energia e o transporte representam uma parcela relevante dos custos operacionais.
Na indústria transformadora e no fabrico de dispositivos médicos, a subida dos preços afeta diretamente os custos de produção e, indiretamente, o transporte de matérias-primas, componentes e equipamentos.
Na logística e nos transportes, o combustível tem um impacto mais direto nas despesas com frotas, fretes, armazenagem e entregas.
Segundo a Morningstar DBRS, os preços do gasóleo na União Europeia (UE) aumentaram significativamente desde o início das hostilidades entre os Estados Unidos e o Irão, em fevereiro, tendo permanecido acima de dois euros por litro até meados de outubro, face a uma média semanal de 1,52 euros em 2025.
Este aumento reflete entre outros fatores, as perturbações geopolíticas, a redução dos fluxos de produtos petrolíferos provenientes do Golfo Pérsico e da Rússia e as limitações da capacidade de refinação.
Apesar das medidas europeias para reforçar a segurança energética, incluindo reservas estratégicas de petróleo, expansão da capacidade de importação de gás natural liquefeito e diversificação das cadeias de abastecimento, os custos mais elevados continuam a pressionar as despesas operacionais.
A agência não antecipa um impacto significativo no desempenho das empresas em 2026, uma vez que a subida dos preços dos combustíveis ocorreu sobretudo no segundo semestre do ano.
Contudo, admite que os efeitos tornem-se mais visíveis em 2027, à medida que os contratos de energia e os acordos de fornecimento forem renovados a preços mais elevados.
Nesses casos, as empresas com menor capacidade para repercutir o aumento dos custos nos clientes poderão enfrentar maior pressão sobre as margens, a geração de fluxos de caixa e os indicadores de crédito.
A Morningstar DBRS realizou ainda simulações que consideram reduções de 2%, 5% e 10% no EBITDA – resultado antes de juros, impostos, depreciações e amortizações – das empresas potencialmente expostas.
Num cenário de queda de 10% do EBITDA, cerca de 25% das empresas deste grupo registariam uma deterioração na avaliação do risco financeiro, um dos elementos considerados na metodologia de notação de crédito da agência.
A capacidade de transferir os custos acrescidos para os clientes, preservar as margens e manter liquidez suficiente será determinante para avaliar o impacto da subida dos combustíveis na qualidade do crédito, concluiu a análise.
A amostra abrange 148 empresas europeias de média dimensão com uma média de 56 milhões de euros de EBITDA.
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