Dakar, David Castera: “Portugal e Marrocos eram a solução mais segura”
O Dakar está de regresso a Portugal e ontem foi apresentada a parte europeia da prova, na sede do Automóvel Club de Portugal (ACP), com a presença do diretor da prova, David Castera.
Com a tensão no Médio Oriente a manter-se, os organizadores optaram por mudar o cenário da prova para 2026, tendo de se adaptar a uma situação demasiado fluida para que um evento desta envergadura pudesse decorrer com toda a segurança necessária. A decisão de mudar o rali mais duro do mundo para Portugal e Marrocos foi anunciada há poucos dias e ontem, na sede do ACP, foi apresentada a parte europeia da prova, que decorre em solo nacional de 5 a 10 de janeiro.
David Castera falou aos meios de comunicação nacionais e revelou o motivo da escolha de Portugal para esta edição:
“Antes de mais, estamos muito contentes por estar aqui em Portugal. Para mim, vir para cá facilita as coisas. Porquê? Porque sei que, com o ACP, estamos em boas mãos para tratar de toda a organização. Não seremos nós a assegurar essa organização: vamos entregá-la ao ACP, que a fará por nós.
É uma questão importante, porque teremos um prólogo, uma etapa e muito público, o que exige todo um trabalho de gestão dos espetadores. É um grande desafio, mas essa será a parte a cargo do ACP, com quem trabalhamos há muito tempo no âmbito do W2RC, enquanto promotor. Era importante para nós contar com um apoio forte aqui.”
Castera reconheceu que outras soluções estiveram em cima da mesa, mas Portugal foi a opção mais segura para garantir que tudo decorre sem problemas:
“Havia outras opções, mas, para mim, Portugal e Marrocos — porque temos de considerar os dois em conjunto — são a solução mais segura para organizar um Dakar em dois meses. É preciso perceber que, normalmente, um Dakar exige seis a oito meses de trabalho. Em dois meses, temos de fazer quase o impossível.
Quando tivemos de decidir, perguntei: ´Para onde podemos ir com a certeza de que vamos conseguir avançar?´ E disse: ´Em Portugal, com o ACP, tenho essa segurança. Conheço muito bem Marrocos e a minha equipa está bem preparada.´ Também sabemos que, em Marrocos, é possível fazer as coisas num prazo curto. Por isso, foi a decisão mais segura entre todas as opções que tínhamos.”
A qualidade do trabalho da organização lusa foi, mais uma vez, fundamental para que esta janela de oportunidade se abrisse. Não é a primeira vez que organizações internacionais recorrem a Portugal em momentos de apuro, com a convicção de que aqui terão todas as condições para realizar provas de grande qualidade.
A vontade da ASO, responsável pelo Dakar, é regressar à Arábia Saudita em 2028, intenção assumida claramente por Castera quando questionado sobre se a vinda da prova para solo luso poderia abrir novas oportunidades para o futuro. Mas este é um momento importante para Portugal, que recebe de forma inesperada o Dakar, sendo já palco do Campeonato do Mundo de Rally-Raid, além de acolher outras grandes competições.
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