Desde 2020 que setor das telecomunicações não tem retorno financeiro suficiente
O setor das telecomunicações português tem vindo a abrandar os seus investimentos, tendo em 2025 ficado 150 milhões de euros abaixo da média anual dos anos pré-pandemia. Os dados divulgados pela APRITEL, de um estudo realizado peça EY-Partheon, sobre a sustentabilidade do setor apontam que este abrandamento se deve ao facto do setor não ter retorno económico dos seus investimentos desde 2020.
Os dados mostram que até 2019 o retorno em Portugal era superior ao da média europeia, contudo, a partir 2020o setor passou a estar muito abaixo daquilo que era a média do país. O estudo revela que historicamente o setor é de investimento intensivo, sendo que este em função da receita estava sempre acima dos 20%. David Oliveira, da EY- Partheon explica que estes 20% significam que “em cada cinco euros mais de um euro é investido na rede”.
António Coimbra, presidente da APRITEL, refere que a rentabilidade negativa tem uma implicação direta no investimento. “Menos 150 milhões de euros investidos face à média dos anos anteriores, estamos a falar de algo muito importante que o país precisa. É a sua capacidade para concorrer neste mundo digital”, afirma.
Este decréscimo do investimento foi acompanhado por um abrandamento da receita nominal do setor nos últimos dez anos, com um crescimento apenas de 5,9%, de 4,28 mil milhões, em 2015, para 4,5 mil milhões de euros, em 2025, enquanto os dados de consumo revelam um aumento de cerca de 12 vezes. O EBIT também recuou, 8,9 pontos percentuais.
Desde 2020 que o setor tem tido um lucro negativo, com uma margem de EBIT, que embora tenha recuperado, continua “abaixo daquilo que foi”, estes dados contribuem para uma pressão no capital e no investimento, principalmente por questões de resultados.
“Em 2025, com estes níveis de investimento e pressão sobre os gastos que existem e de receitas, as empresas de telecomunicações têm menos alavancas para absorver mais concorrência, guerra de preços e investimento continuo”, explicou David Oliveira.
Perante esta situação a associação apresenta cinco medidas principais, que passam pelas licenças de espetro de longa duração, tal como já é pedido no relatório Draghi. “Em Portugal parámos nos tempo, a situação não é sustentável”, apontou António Coimbra.
O presidente da APRITEL defende ainda que o valor das taxas destas licenças deve ser aplicado em “investimento produtivo” e não ficar nos cofres do Estado.
Outra medida é a ‘level playing field’, onde a associação defende que as empresas com 2% do tráfego total tenham obrigações de negociar interligações com os operadores de comunicações. A terceira medida passa pelo Governo olhar para as taxas de Portugal paga, face à média europeia de taxas de espetro e de micro-ondas, que chega a ser mais de 86% do que a média europeia.
A quarta medida apresentada está relacionada com o cybersecurity act, onde o setor entende que deve haver oferta competitiva com obrigações equivalentes, ou seja, os 0peradores não devem ser escolhidos pela sua origem, mas devem ter as mesmas obrigações. Por último, a associação defende novas merger guidelines, que considera “fundamentais”. “Temos de ter operadores grandes e com musculo financeiro para conseguirem fazer face aos investidores. Não tem lógica Portugal ter quatro operadores, não há escala, sem escala não há investimento”, referiu.
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