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Sporting viveu sofrimento desnecessário num triunfo rumo à mudança

Sporting viveu sofrimento desnecessário num triunfo rumo à mudança

Foi preciso sangue, suor e algumas lágrimas para mais uma vitória europeia em tons de verde e branco. Num Sporting em plena ebulição, que no espaço de três dias despediu Rui Borges, anunciou um interino e se prepara para uma mudança rumo ao futuro, a calma era o ingrediente necessário para o regresso à Liga dos Campeões.
 
Em Stamford Bridge, na cidade de Londres, e diante de um Shakhtar Donetsk que anda com a casa às costas para as provas europeias, um golo do italiano Issa Doumbia revelou-se suficiente para o Sporting bater, de forma muito sofrida, os ucraniano, naquele que foi o primeiro jogo sem Rui Borges.
De um dia para o outro, Tiago Fernandes assumiu as funções de interino, algo que não lhe é estranho nos leões, e montou a equipa para o duelo europeu, que se seguia à derrota caseira contra o LASK Linz. De volta a Londres, onde há uns anos alcançou um empate frente ao Arsenal neste mesmo modo de transição, o português operou uma revolução tática.
Tiago Fernandes arriscou e trouxe de volta o esquema de três centrais, operando cinco mudanças no onze em comparação com aquele que tinha vencido há dias o Casa Pia. Rui Silva regressou à equipa titular e o jovem Eduardo Felicíssimo estreou-se nas provas europeias. Uma aposta numa reinvenção que acabou por correr bem.
Numa primeira parte de pouca história e jogada quase apenas a meio-campo, o momento de maior aperto para a baliza ucraniana chegou cedo. Catamo ganhou espaço pelo flanco direito e colocou a bola em Silas Andersen. O dinamarquês cruzou para o segundo poste, onde apareceu Maxi Araújo a rematar cruzado contra um defesa da formação da casa. Do outro lado, e à beira do intervalo, Kauã Elias, à boca da baliza e sem oposição, atirou muito por cima, quando tinha tudo para marcar.
À procura de fazer esquecer o desaire caseiro com o LASK Linz, o Sporting entrou com mais pujança no segundo tempo. Issa Doumbia, que tinha andado algo desaparecido na etapa inicial, deu o primeiro sinal de perigo ao aparecer a finalizar para fora uma bola servida por Luis Suárez. Aos 59 minutos, o italiano não perdoou mesmo. Com a ajuda do brasileiro Pedro Henrique, que falhou o corte na hora H, o médio atirou a contar para o seu segundo golo europeu na temporada.
Aberta a contagem, os portugueses tiveram duas novas oportunidades para ampliar as contas – primeiro pela cabeça de Eduardo Quaresma, e depois por Suárez, que isolado, atirou de forma disparatada – mas preferiram o caminho do sofrimento. Os ucranianos fizeram das tripas coração e obrigaram Rui Silva a brilhar para manter a curta vantagem, antes de novo desperdício de Suárez, de livre direto.
A margem mínima foi suficiente para a terceira vitória em quatro jogos na fase de liga da Liga dos Campeões, o que deixa os verdes e brancos com nove pontos e, à condição, o quinto lugar da tabela. O caminho para o playoff está, pelo menos, engatilhado.
Mas vamos às notas desta partida:
Figura
Silas Andersen foi o relógio de que o Sporting precisava para esta partida. Raramente perdeu a noção de tempo e de espaço e arranjou sempre soluções para os problemas com que se deparou. Está no início da jogada que deu origem ao golo de Doumbia.
Surpresa
Alisson Santana, recentemente chamado por Carlo Ancelotti para a seleção do Brasil, foi um perigo constante para o setor defensivo do Sporting. Combinou velocidade com poder de desequilíbrio e explosão. Só faltou o golo.
Desilusão
Kauã Elias falhou no essencial na última noite. O avançado criou várias oportunidades, mas pecou na hora de transformá-las em golo.
Treinadores
Tiago Fernandes
Chamado de urgência de um dia para o outro para fazer a ponte entre Rui Borges e Paulo Fonseca, o treinador optou por recorrer à ‘estratégia Amorim’ que muitos sucessos deu aos leões nos últimos anos e viu os jogadores responderem de forma positiva. A união fez a força rumo ao golo e, depois disso, os leões tiveram cabeça para gerir o resultado.
Arda Turan
Nota para a bravura dos ucranianos e capacidade de criar problemas ao Sporting. Apesar de estarem a perder, nunca desistiram de chegar ao empate. A falta de definição na hora de finalizar acabou por dizer a derrota. Mas há muito talento à solta nesta equipa.
Arbitragem
Ivan Kruzliak parece ter cometido um erro ao não marcar um penálti a favor dos ucranianos, mas também não contou com a ajuda do VAR. Também à beira do fim parece ter perdoado uma expulsão aos ucranianos.

Tiago baralhou e Sporting voltou a dar. Leão triunfa a meio da tempestade
Já sem Rui Borges, e com Paulo Fonseca já a caminho de Lisboa, o Sporting foi até Londres para vencer o Shakhtar Donetsk. Tiago Fernandes, o interino, promoveu o regresso dos três centrais e os leões responderam com uma vitória.
Rodrigo Querido | 19:36 – 03/11/2026

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