A carregar agora

“CR7 entendeu que era a melhor maneira de sair, sem criar mais problemas”

“CR7 entendeu que era a melhor maneira de sair, sem criar mais problemas”

O antigo diretor das seleções na Federação Portuguesa de Futebol (FPF) Carlos Godinho lamentou hoje a maneira como Cristiano Ronaldo anunciou a saída da equipa das ‘quinas’, referindo que “podia ter sido de outra forma”.
“Sinto pena, porque podia ter sido de outra forma, mas a vida é o que é e as coisas acontecem muitas vezes sem desejarmos e sem pensarmos que vão acontecer. Foi assim, não há volta a dar, não conseguimos a rebobinar a bobine da nossa vida. Ele entendeu que era a melhor maneira de sair, sem criar mais problemas a ninguém, nem para ele nem para a federação. Foi a opinião dele, que é o que vale”, disse o ex-‘team manager’ da seleção, em declarações à agência Lusa.
O avançado Cristiano Ronaldo, de 41 anos, anunciou hoje a retirada da seleção portuguesa de futebol, através de um vídeo divulgado nas suas redes sociais, na véspera de serem conhecidos os convocados para os últimos dois jogos da fase de qualificação da Liga das Nações.
Carlos Godinho iniciou funções na FPF em 1974 e, 10 anos depois, em 1984, começou a trabalhar diretamente com as demais seleções nacionais, antes de integrar os quadros da formação principal em 1991, num percurso de 50 anos no organismo, que terminou em 2024, e no qual privou com Ronaldo quase na totalidade dos seus 23 anos com a camisola das ‘quinas’.
O antigo dirigente da FPF revelou alguma surpresa pelo anúncio de Ronaldo na véspera de ser conhecida a convocatória, mas explicou que, conhecendo o avançado dos sauditas do Al Nassr e sabendo o que aconteceu em setembro, de certa forma, não ficou surpreendido com a decisão.
“Não estive por dentro dos problemas que acontecerem na seleção nacional, mas do que li, vi e ouvi, e por aquilo que conheço, penso que estava magoado pela forma como todo o processo decorreu”, referiu.
No dia 30 de setembro, o avançado abandonou o estágio da seleção portuguesa na véspera da partida frente à Dinamarca, da Liga das Nações, no início do ciclo de Jorge Jesus no comando técnico da seleção.
Carlos Godinho lembrou esse dia e revelou que reparou de imediato que algo não estava bem, quando viu Ronaldo no meio do campo a beber café antes do treino que estava agendado.
“Era sempre o primeiro a chegar ao balneário, a preparar-se para o treino e a começar a treinar e naquele dia apareceu no relvado a beber café e agarrado ao telefone. Sem saber o que se estava a passar, levou-me logo a suspeitar que havia algo de grave para isso acontecer. E, na opinião dele, aconteceu algo que não devia ter acontecido, mas não conheço os detalhes e pormenores de tudo”, explicou.
Carlos Godinho revelou ainda que enviou hoje uma mensagem ao avançado para lhe agradecer e na qual lembrou a família de Ronaldo.
“Mandei uma mensagem esta manhã a dizer que as palavras pouco contam, o que tenho é de agradecer. Agradecer de uma forma um pouco diferente, agradecer à mãe, que foi um espetadora assídua sem nunca se colocar em bicos de pés neste processo, agradecer a ele e aos filhos e restante família, que é o mais importante de tudo”, frisou.
O antigo dirigente salientou que todos conhecem o percurso de Ronaldo e os “momentos fantásticos” que proporcionou ao serviço da seleção portuguesa.
“Sabemos os momentos fantásticos que nos proporcionou, os golos, as alegrias, algumas tristezas e momentos menos felizes, mas isso é normal nas nossas vidas e na dele também. Quero desejar-lhe um grande futuro, para ele e para a família”, concluiu.
Recordista mundial de jogos por seleções, com 234 internacionalizações ‘AA’, e de golos, com 146, Cristiano Ronaldo tem como pontos altos da carreira na seleção a conquista do Euro2016, em França, bem como duas edições da Liga das Nações, em 2019 e 2025, depois da final de má memória do Euro2004, em casa.
O último jogo pela equipa das ‘quinas’ acabou por ser o triunfo frente ao País de Gales (1-0) disputado no dia 24 de setembro, na primeira jornada do Grupo A4 da Liga das Nações, mais de 23 anos depois da estreia no dia 23 de agosto de 2003, em Chaves, num particular frente ao Cazaquistão.
Já o último golo com a camisola lusa foi marcado no triunfo frente à Croácia (2-1), nos 16 avos de final do Mundial2026, em 03 de julho, em Toronto, ao converter uma grande penalidade.

Share this content:

Publicar comentário