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França prepara-se para um nervoso dia de greve geral

França prepara-se para um nervoso dia de greve geral

Centenas de milhares de pessoas devem participar em manifestações previstas para todo o território francês, que acompanharão o dia de greve geral nacional convocado pelos que sindicatos. Saúde, controladores de tráfego aéreo, funcionários dos correios, professores e ferroviários são alguns dos setores onde é esperada uma grande adesão. O contexto da greve não pode ser dissociados, por um lado, dos graves (e violentos) acontecimentos as últimas semanas em torno do setor da educação; e, por outro, das dificuldades que o governo liderado pelo primeiro-ministro Sébastien Lecornu está a sentir para encontrar forma de fazer passar o Orçamento do Estado para 2027 na Assembleia Nacional.
Antes da greve de quinta-feira, os quatro principais sindicatos ferroviários de França afirmaram que os cortes orçamentais propostos pelo governo “agravariam a pobreza, reduziriam drasticamente a segurança social, congelariam os salários dos funcionários públicos e acabariam com os investimentos necessários para as medidas ambientais”.
Ao mesmo tempo, os estudantes do ensino médio continuaram a bloquear escolas devido à superlotação das salas de aula e às instalações em ruínas, alegando que as medidas propostas pelo governo para limitar o tamanho de algumas turmas e conceder empréstimos às autoridades regionais para a reforma das escolas são insuficientes. Os estudantes universitários também participaram no bloqueio. Os sindicatos dos professores de escolas particulares aderiram às paralisações juntamente com os professores da rede pública.
Grupos de direitos humanos protestaram contra o que consideraram policiamento excessivo e uma tentativa “autoritária” do governo Macron de reprimir o direito de manifestação. A Liga Francesa de Direitos Humanos afirmou que houve uma “guinada autoritária” para sufocar “qualquer voz dissidente”, com o governo a optar por impor um forte policiamento e as autoridades a avançar com restrições a manifestações nos centros urbanos, além de toques de recolher obrigatório em áreas urbanas específicas.
Sophie Binet, líder do sindicato de esquerda CGT, afirmou, citado pela imprensa francesa, que “estamos a viver um momento muito sério, com uma perigosa deriva autoritária por parte do governo”, criticando as decisões das autoridades em cidades como Rennes, Toulouse e Lyon de expulsar as manifestações dos centros urbanos.
Soldados franceses patrulharam Paris na véspera do dia de greve, na tentativa de induzir manifestações que não descambem para a violência. Existem indicações e medidas específicas para o dia, uma vez que as autoridades francesas classificaram a jornada de greve geral como de “alto risco”. Os relatórios dos serviços de informação alertaram para a possibilidade de uma escalada de violência nos centros urbanos, o que levou à ativação de protocolos rigorosos de prevenção. Os lojistas foram aconselhados a fecharem mais cedo, protegerem as montras e retirarem da via pública todo o tipo de mobiliário. Várias prefeituras francesas tomaram medidas legais para proteger as zonas comerciais.
Em Paris, onde se esperam 80 mil manifestantes, a autarquia e a polícia travaram um braço de ferro legal com os sindicatos para impor o desvio do percurso da grande marcha convocada para assinalar o dia de greve geral. O objetivo desta alteração forçada de trajeto foi precisamente afastar o grosso do protesto das avenidas comerciais mais sensíveis e críticas da capital.
A greve geral foi convocada por uma ampla coligação intersindical, destacando-se as cinco principais organizações sindicais: CFDT (Confédération Française Démocratique du Travail), CGT (Confédération Générale du Travail), Force Ouvrière (FO), UNSA (Union Nationale des Syndicats Autonomes) e FSU (Fédération Syndicale Unitaire).

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