O Dakar encontra porto seguro em Portugal: a confiança da ASO no ACP
A ASO deparou-se com um sério problema quando a Arábia Saudita, após ter levado a situação ao limite, percebeu que pouco podia fazer perante a desestabilização das próprias estruturas (veja-se a decisão da Yamaha no MotoGP). Contudo, ciente da ciclópica tarefa que é organizar o Dakar, a ASO explorou as possibilidades, enviou equipas para o terreno para procurar alternativas e, quando a decisão teve de ser tomada, grande parte do trabalho já estava feito.
Sabia-se que a ASO faria tudo para que o Dakar se realizasse, fosse onde fosse, pois o evento “alimenta” um vasto ecossistema dos rali-raid (equipas, amadores, alugueres e assistências). Assim, após os acontecimentos na Arábia Saudita e a decisão de o realizar noutro local, tudo foi planeado em poucos dias.
Relativamente à partida em Portugal, a realização da prova exclusivamente em Marrocos estava fora de questão, sendo considerada apenas como último recurso. Assim, partir de Portugal revelou-se uma solução fácil e vantajosa para David Castera e para a ASO, por diversos motivos. Espanha foi uma opção considerada, mas os problemas relacionados com prazos legais e autorizações eram muitos. Em contraste, em Portugal, uma entidade, o ACP Motorsport, resolveu tudo com facilidade, como efetivamente o fez.
David Castera desejava que o Dakar tivesse uma partida com o esplendor do passado, como aconteceu em muitas edições quando a prova arrancava de Paris (na maioria das edições iniciais e em várias nos anos 90/2000). Outros locais de partida incluíram Granada (Espanha) em 1995 e 1999, Arras (França) em 2002, Marselha (França) em 2003, Clermont-Ferrand (França) em 2004, e Barcelona (Espanha) em 2005. Lisboa (Portugal) foi o ponto de partida em 2006, 2007 e 2008 (edição que foi cancelada). Assim, desta vez, Portugal foi a solução: “Em Portugal temos um parceiro forte de longa data, o ACP, que organiza o Rally-Raid Portugal no W2RC. Subcontratámos o ACP para aliviar o volume de trabalho da ASO, e eles encarregar-se-ão da vertente operacional no prólogo e na etapa 1”, afirmou David Castera.
Adicionalmente, mesmo antecipando um grande número de espectadores, Castera tem a certeza de que o ACP está mais do que habituado a gerir tais situações, dada a sua experiência com o Rally-Raid Portugal e com o Rally de Portugal, que se realizaram durante muitos anos nos mesmos locais onde agora terá lugar o prólogo e a primeira etapa do Dakar. “Eles sabem preparar dossiers de segurança sólidos, o que nos será de extrema utilidade”, referiu. Claramente, a ASO confia plenamente na equipa liderada no terreno por Orlando Romana, Jaime Santos, e tantos outros que, neste momento, trabalham para que o Dakar volte a ser um êxito em Portugal. Nesse particular, a ASO está perfeitamente tranquila.
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