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Uma nova fintech a cada três semanas no últimos 10 anos. Setor português triplica receitas para 416 milhões

Uma nova fintech a cada três semanas no últimos 10 anos. Setor português triplica receitas para 416 milhões

Durante dez anos nasceu em Portugal uma nova fintech a cada três semanas. É a principal conclusão da 10.ª edição do Portugal Fintech Report, apresentada hoje, dia 5 de novembro.
O setor passou de 18 empresas fundadas em 2015 para 199 e reportou 416 milhões de euros em receitas em 2025, três vezes mais do que em 2020. O emprego quase triplicou, de 1.553 pessoas em 2020 para 4.258 em 2026. O número de fintechs com mais de um milhão de euros de receita passou de 12 para 29.
Segundo o estudo, o financiamento acumulado do ecossistema já ultrapassa 1,2 mil milhões de euros, mas o relatório mostra que o destino desse dinheiro mudou face a 2025: as fintechs já não procuram capital sobretudo para construir produto.
A inteligência artificial ajuda a explicar a mudança. Quase metade das fintechs que usam IA dizem que a maior parte do seu código já é escrita com apoio da IA. Ainda assim, há uma dificuldade que os fundadores continuam a apontar acima de todas as outras, e não é tecnológica.
Relação com banca continua lenta
O estudo revela que 60% das fintechs já participaram em iniciativas de inovação de incumbentes, num total de 377 participações, das quais resultaram 166 provas de conceito ou pilotos e 88 parcerias comerciais pagas. Mais de metade dos pilotos – 53% – chegou a contrato.
O processo continua lento, uma vez que só 12,5% das fintechs fecham uma parceria em menos de três meses e 16,7% demoram mais de um ano. O canal mais eficaz para chegar a uma instituição financeira passou a ser a recomendação de terceiros – 29,3% -, à frente do contacto direto com a administração – 27,6%.
“Portugal não criou apenas mais fintechs, criou fintechs mais fortes. O ritmo de criação de empresas manteve-se notavelmente constante durante uma década, mas as empresas tornaram-se maiores, mais sofisticadas e mais competitivas a nível internacional”, afirma João Freire de Andrade, fundador e presidente da Portugal Fintech.
Para assinalar os dez anos, o relatório reúne testemunhos de quem construiu o setor: Afonso Eça (do BPI), sobre o primeiro IPO de uma fintech portuguesa, Miguel Santo Amaro, cofundador da Uniplaces e da Coverflex e João Menano, sobre a aposta na IA na banca que terminou com a aquisição da sua empresa pela Google. Inclui ainda contributos de Maria Luís Albuquerque, Comissária Europeia para os Serviços Financeiros, e dos três supervisores financeiros portugueses – ASF, CMVM e Banco de Portugal.
Agentes de IA já compram pelos consumidores e já burlam à velocidade da máquina
A segunda grande tendência analisada no Portugal Fintech Report 2026 é o comércio agêntico.
O comércio em que agentes de inteligência artificial compram, escolhem e pagam em nome do consumidor já é uma realidade na Europa. Segundo o relatório, a Visa já suporta transações reais iniciadas por agentes de IA com mais de 30 emissores europeus, incluindo bancos portugueses, em compras em comerciantes aderentes.
Para o consumidor confiar num agente que compra por si, há uma condição que não pode falhar: a autorização. “Como em todas as grandes mudanças nos pagamentos, os vencedores não serão os que simplesmente implementam tecnologia avançada, mas os que combinam inovação com transparência e confiança do consumidor”, afirma Gonçalo Santos Lopes, Country Manager da Visa em Portugal.
A mesma tecnologia está a mudar a fraude. “O desafio já não é verificar a identidade, é verificar a autenticidade”, afirma Carla Zuleica Plowden, Banking Senior Manager da NTT DATA Portugal. O relatório explica porque é que os bancos organizados em equipas separadas de cibersegurança, fraude e branqueamento de capitais estão em desvantagem, e qual das novas regras europeias está realmente a mudar comportamentos.
Os fundadores portugueses também fizeram as suas apostas para 2036, da autenticação biométrica aos pagamentos feitos sem qualquer intervenção humana. O relatório revela quais consideram certas e quais não passam de uma possibilidade.
O Portugal Fintech Report 2026 é apoiado pela Morais Leitão, NTT DATA e Visa.
Primeiro ano da MiCA deixa Portugal com menos operadores cripto nacionais do que em 2025
O regulamento europeu de criptoativos (MiCA) passou da teoria à prática, e os primeiros resultados em Portugal ficam aquém do esperado. Segundo a análise da equipa de regulação financeira da Morais Leitão no Portugal Fintech Report 2026, o país tem hoje menos operadores nacionais autorizados do que os que estavam registados em 2025, enquanto centenas de empresas licenciadas noutros países já operam no mercado português.
O relatório compara Portugal com os restantes Estados-Membros e responde à pergunta que o setor coloca: terá o país perdido a corrida para se tornar um hub de criptoativos na Europa?
O documento conta também a experiência do Bison Bank, o primeiro banco em Portugal a obter licença para prestar serviços de criptoativos. “A oportunidade de Portugal não está na dimensão, mas na execução”, afirma António Henriques, CEO do Bison Bank.
A próxima fronteira é a tokenização de ativos reais, de imóveis a obras de arte, que permite investir numa fração de um ativo com qualquer montante. Mas, como explica André Lages, cofundador da Lympid, há ainda um obstáculo legal por resolver antes de este mercado ganhar escala.

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