Inflação acelera e pressiona BCE a subir juros
Quatro meses seguidos de subidas levaram a inflação a novo máximo desde setembro de 2023, com 4% em termos homólogos, e a realidade vai-se afastando cada vez mais do cenário base do Banco Central Europeu (BCE). Cresce assim a probabilidade de mais 25 pontos base (pb) nas taxas diretoras na reunião de dezembro, sendo que as perspetivas para 2027 dependerão em parte de quem suceder a Christine Lagarde e Isabel Schnabel.
A leitura de outubro voltou a mostrar uma aceleração da inflação à boleia da energia, que registou a subida mais alta desde dezembro de 2022, com 20,8%. O indicador subjacente manteve-se estável em 2,5%, mas nem assim o BCE deverá ter descanso na luta contra a pressão nos preços.
Comparando esta leitura com o cenário base traçado nas projeções macro do BCE em setembro, o indicador de preços está ligeiramente acima do projetado, dado que mais duas leituras na casa dos 4% encerrarão o ano em 3,1%, ou seja, mais do que os 3% antecipados. Contudo, é na energia que a discrepância é mais acentuada, com o BCE a prever um pico do choque energético com 15% de inflação nesta componente no final deste ano. E, com os stocks de gás natural no Centro e Norte do continente abaixo dos níveis desejáveis no arranque da época mais frio do ano, é expectável que os preços da energia continuem a subir, projeta a análise do ING. Mas, ao contrário do que aconteceu em 2022, na primeira onda inflacionista, a capacidade de repassar estes aumentos de custos para os consumidores é bastante mais reduzida.
“Portanto, compressão de margens será a palavra de ordem”, resumem os analistas do banco neerlandês.
Perante isto, crescem as probabilidades de uma subida de juros em dezembro. E, para 2027, a expectativa da Pantheon é de mais 25 pontos base (pb) em março, nível a que corresponderia a taxa terminal do atual ciclo de aperto monetário, com 3%. Mas “caso Lagarde e Schnabel – que vão embora em janeiro e fevereiro, respetivamente – forem substituídas por ‘pombas’, é possível que o Conselho se incline para o lado de aguardar”, ou seja, sem a última subida esperada em 2027, completam.
Por outro lado, um ajuste desta trajetória afigura-se mais provável caso haja novidades do lado energético, com “uma queda assinalável nos preços do petróleo e decréscimo das margens de refinação”, do que como resultado do apertar das condições de financiamento. Ou seja, neste momento, a inflação mexe mais a política monetária do que os movimentos de mercado.
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