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Conflito no Médio Oriente deixa mercados no ‘vermelho’

Conflito no Médio Oriente deixa mercados no ‘vermelho’

Os mercados iniciaram a semana a reagir aos ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irão, que aconteceram no passado sábado. A Europa fechou a primeira sessão no ‘vermelho’, enquanto Wall Street voltou às negociações em baixo.
O conflito já fez com que os preços do petróleo disparassem. “Os preços do petróleo WTI iniciaram a nova semana quase 10% acima do nível de fecho de sexta-feira. Este gap de mercado reflete o nervosismo entre os investidores, após o início de uma nova guerra no Médio Oriente, que está a desestabilizar toda a região”, refere Ricardo Evangelista, CEO da ActivTrades Europe.
“No que diz respeito ao comércio global de petróleo, o crude iraniano encontra-se atualmente fora do mercado, enquanto o tráfego marítimo através do Estreito de Ormuz foi interrompido. Esta situação afeta cerca de 25% da produção mundial de petróleo, que é normalmente transportada por petroleiros através do estreito. Após a subida inicial na abertura do mercado, os preços do crude já devolveram parte dos ganhos, mas mantêm-se acima dos 72 dólares por barril, um nível que não era observado desde junho”, afirma.
O analista salienta que “quanto mais tempo o conflito persistir e o petróleo do Golfo permanecer retido na região, maior será a probabilidade de os preços continuarem a subir, podendo aproximar-se da fasquia dos 100 dólares por barril”.
Para além de penalizar o petróleo, este conflito também penalizou as empresas de aviação na Europa, “devido à perspetiva de menor atividade no Médio Oriente, enquanto as empresas de defesa e de energia foram as mais beneficiadas pelo choque petrolífero”, explica Henrique Valente, analista da ActivTrades Europe.
“Os investidores estão de olhos postos no Estreito de Ormuz, que, na prática, está interdito e por onde passa cerca de 25% do petróleo mundial. Os próximos desenvolvimentos na região serão fundamentais para avaliar a extensão e a profundidade do impacto nas bolsas, que por agora permanece modesto”, refere.
Já os analistas da XTB explicam que “a economia europeia é estruturalmente mais dependente de importações energéticas do que os EUA. Sempre que há tensão no Médio Oriente, o mercado começa a incorporar um prémio de risco energético, o que pressiona as ações e aumenta a volatilidade”.
“Se o petróleo e o gás subirem de forma sustentada, isso pode atrasar cortes de juros por parte do BCE, o que poderá afetar ainda mais os mercados. Ainda assim, neste momento, o mercado europeu está a precificar risco, não recessão”, salientam.
Contudo, os analistas relembram que “apesar das quedas dos índices, é importante lembrar que, historicamente, o mercado americano reage primeiro com emoção e depois volta a focar-se nos fundamentos: lucros, inflação e política monetária. Desta forma, caso não se verifique uma escalada do conflito, estes desempenhos poderão ser apenas temporários e poderemos ver uma recuperação do mercado num futuro próximo”.

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