A carregar agora

Atlantic Connect acusa Governo dos Açores de encenar “saída airosa” para fracasso na privatização da SATA

Atlantic Connect acusa Governo dos Açores de encenar “saída airosa” para fracasso na privatização da SATA

O processo de privatização da Azores Airlines (SATA) entrou numa fase de elevada tensão. O consórcio admitido na privatização da Azores Airlines acusou em comunicado o Governo açoriano de “preparar uma saída política airosa para um processo que correu mal”, alertando que mudar o modelo de venda não resolve os problemas” da companhia.
Em comunicado, o cónsorcio Atlantic Connect Group —  que junta os empresários Tiago Raiano, Carlos Tavares (ex-CEO da Stellantis) Paulo Pereira e Nuno Pereira — acusa o Governo Regional dos Açores liderado por José Manuel Bolieiro de estar a “lavar as mãos”, criticando a forma como o Governo parece agora “assistir de fora” a um desfecho do qual é o principal responsável formal perante a Comissão Europeia (DGCom).
Recorde-se que na quarta-feira o Governo Regional concluiu não estarem reunidas as condições para adjudicação da Azores Airlines àquele consórcio, o único admitido no concurso.
O consórcio lamenta que o debate público se tenha centrado na forma do concurso, ignorando os problemas estruturais da companhia.
“A possibilidade de uma venda direta passou a ser apresentada como solução, como se bastasse mudar o procedimento para que todos os desafios estruturais desaparecessem”, alerta o grupo, sublinhando que os problemas financeiros e operacionais da SATA permanecem inalterados.
O Atlantic Connect Group defende a “seriedade” da sua proposta, garantindo que negociou compromissos com trabalhadores e sindicatos. O grupo estranha ainda o facto de, até ao momento, não ter tido acesso ao relatório que sustentou o chumbo da sua candidatura, o que impede uma análise clara das razões que levaram à sua exclusão.
A crítica surge num momento em que o Governo Regional admite reformular o modelo de alienação da companhia aérea. Mas para os investidores do Atlantic Connect, esta mudança de rumo é apenas um adiamento da realidade. “Mudar o procedimento não resolve os problemas da empresa, e fingir que resolve apenas adia o momento em que a realidade terá de ser enfrentada”, concluem.
O presidente da SATA, Tiago Santos, afirmou na quarta-feira à agência Lusa que o modelo de venda direta para a Azores Airlines vai permitir um “processo ágil e otimizado”, defendendo a importância de “não se perder mais tempo” na privatização.
A privatização da Azores Airlines continua, assim, envolta em incerteza, com o Governo Regional sob pressão para explicar como pretende cumprir os compromissos assumidos com Bruxelas após o colapso do atual concurso.
O consórcio ACG apresentou em 24 de novembro de 2025 uma proposta de 17 milhões de euros por 85% do capital social da Azores Airlines.

Share this content:

Publicar comentário